terça-feira, 11 de novembro de 2014

QUE O FUTEBOL VENÇA A IDIOTICE DE UM DOS MAIORES CLÁSSICOS DO BRASIL SER DISPUTADO NO CURRAL DO HORTO.

Os tempos eram outros, o Independência apenas parte da história das Copas do Mundo e lembrança da época em que o futebol mineiro não superava nem às propostas do América do Rio, do Bangu, do Madureira, etc.  Até que em 1965, todo sabem, a coisa mudou. Nessa fase,  de fora pra dentro. O futebol mineiro contava com dirigentes amadores, apaixonados, porém inteligentes, astutos, como, Felício Brandi, Carmine Furletti, Fábio Fonseca, Elias Kalil e outros.  A lista é grande, bem selecionada entretanto. Cada qual com a sua importante fatia nessa gloriosa história.
Nenhum deles cometeria essa loucura, essa estupidez, de jogar-se uma decisão nacional nesta quarta-feira, às 10 da noite, pela primeira vez entre Atlético e Cruzeiro, na importância da Copa do Brasil no Independência, ignorando o Mineirão. Nenhum deles cometeria o desatino que será cometido agora de deixar de fora da decisão parte das torcidas, nas duas partidas, incluindo o Mineirão. Nenhum deles cobraria o exagero que se cobrou nos ingressos do jogo no Horto, preços elitizados, pra justificar a estupidez do retorno ao anteontem.
Não se pode analisar a questão pelo ângulo apenas financeiro ou de segurança, ou técnico, este favorável ao Galo. É preciso analisá-lo pelo lado da tradição. Atlético e Cruzeiro sempre foi jogado no melhor estádio. Na época do Independência, era lá. No Mineirão, sempre foi lá, exceto quando algum absurdo das caduquices dos cartolas do futebol ou da política, obrigaram que o clássico fosse jogado fora de Belo Horizonte.
Não existe nada favorável à realização deste clássico no Independência. Mata a rivalidade e aumenta o perigoso do massacre de uma torcida sobre a outra. Nos jogos, os adversários terão apenas 10% da carga de ingresso. Ou seja, quem for burro o suficiente pra se aventurar  num desses dois jogos, corre o risco de ser massacrado.
O correto seria os dois jogos no Mineirão, a divisão de 50% pra cada torcida, com policiamento competente, comprometido, realmente, com o seu dever de segurança pública, sem aquela história de cortar seis mil lugares no meio exato da arquibancada pra evitar brigas.
Claro que se pode cobrar da Imprensa a omissão de se manifestar francamente e com isenção das medidas tomadas pela tal Minas Arena, empresa paulista colocada no direção de nossa principal praça de esportes graças à uma concorrência estranha e mal explicada. O Mineirão foi jogado no chão precipitadamente pra se construir outro mal acabado, entregue a interesses paulistas, somente como semente de uma campanha política que se avizinhava. Era preciso mostrar que o choque de gestão era coisa séria. Que mentira! O Mineirão tornou-se uma fogueira que queimou dinheiro à rodo dos contribuintes mineiros. Foi inaugurado antes da saída do Governador candidato a Senador Aécio Neves, e depois fechado novamente porque precisava de uma reforma estrutural, descoberta a tempo, no valor de R$ 850 milhões.
Nenhum órgão da Imprensa, exceto esta pequena e frágil Trincheira, levantou a voz contra as besteiras que se fazia ao derrubar os dois estádios ao mesmo tempo. A censura financeira comia solta, com verbas canalizadas pelo Palácio da Liberdade. Dona Andreia Neves só liberava verba praquem falasse bem do irmão governador. A Minas Arena tornou o Mineirão um castelo paulista, onde os de fora podem tudo e a Imprensa de casa não pode nada.

De quem é a ideia de se proibir, até para os jornalistas, o estacionamento em torno do estádio? Pelo que sei agora, todo jornalista tem que ligar antes pra alguém da Minas Arena, tomar benção e a carteira da AMCE não vale mais nada. Depois, devidamente cadastrado, recebe uma senha que lhe dá direito de estacionar no estádio pagando R& 30,00. Aí vem minha dúvida: de quem é esta ideia? Eliminou-se o estacionamento da Imprensa pra obrigar a turma que vai trabalhar a pagar R& 30,00 de estacionamento. Sugere que o autor da ideia esteja levando por fora.
No Independência nem estacionamento tem para os profissionais da Imprensa. Têm que deixar o carro longe da praça de esportes, achacado pelos flanelinhas, sem policiamento e os imbecis dos cartolas que entram direto no estádio, ignoram que o cronistas esportivos estão mais expostos que os atletas e tão sujeito quanto eles a agressões  de alguma destes bandidos que se transvestem de torcedores. E o Sr. Alexandre Kalil acha tudo muito normal e até no Mineirão, com apenas 10% dos ingressos a favor de sua torcida, sente-se seguro, com mil seguranças e colocando o carro diretamente num estacionamento especial.
A PM lavou as mãos e o Ministério Público demonstrou que não tem força coisa nenhum. Em defesa do Cidadão deveria impedir a realização de um jogo de tal proporção, num estadinho parecendo curral, com a possibilidade de uma das torcidas - a do Cruzeiro, claro - ser massacrada, ou que a grande parte da China Azul marque encontro em derredor do Estádio e ali, mas poucas saídas existentes, promova uma praça de guerra. Quando morre um cidadão honesto, que foi a campo apenas assistir seu time jogar, e é morto por gangs uniformizadas, quem responderá por isso? Alexandre Kalil e sua diretoria? A CBF? O MP, a Polícia Militar? A Justiça que manda soltar os bandidos?
O futebol brasileiro que havia crescido depois do  Mineirão, de fora pra dentro, agora se apequena de dentro pra fora. Não dá pra defender mais a cartolagem que tomou conta do futebol mineiro nas gozações da grande imprensa. Quem perdeu tempo, como eu, de ficar vendo o programa da ESPN, Mesa Redonda, sabe o que digo. Por incrível que pareça foram coerentes e disseram tudo que é verdade e que estou comentando agora, com as palavras cuspidas pelo meu cérebro enraivecido e inconformado. Quem paga R$ 200 pra ir ao Independência, sem nenhum conforto, sem segurança, é louco ou está a fim de se envolver em confusão. Pagar então R$ 400 é doido comprovado e precisa ser internado imediatamente.
Por isso, prefiro - já que não vou mesmo a estádio algum dirigido por esta súcia que está por aí - e vou à Câmara  Municipal prestigiar a festa do Orlando Augusto, meu companheiro de Jogada de Classe, na TV Horizonte, pela entrega de seu título de Cidadão Honorário da Capital.

Por isso tudo aí, peço, suplico, em nome de uma classe de profissionais competentes, que o novo Governador Fernando Pimentel interfira na ditadura da Minas Arena. Que determine à sua Procuradoria estudos para estabelecer os limites de público no Horto, em nome da segurança pública no Estádio e fora dele. Que, por enquanto, mantenha conversação de alto nível do o prefeito Lacerda - que o Senhor Governador ajudou a se eleger e depois viu a presidenta Dilma ser traída por ele - a fim de restabelecer o estacionamento em torno do Estádio. 

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