sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

CARATINGUENSE ILUSTRE? NEM TANTO

Caratinga do jeito que a vejo hoje poderia ser dividida em duas – espiritual e física. A primeira é aquela que ficou na alma e no coração, metaforicamente, dos que aqui nasceram. Como é o meu caso. As projeções que faço ou as imagens que dela recupero na nuvem do meu micro íntimo me trazem sempre uma cidadezinha calma, de gente calma, de política brava, mas que, passada a fase da briga de poder, tudo se acalma e todos se ajoelham juntos diante dos altares de suas convicções. Essa, no entanto, só existe na circunstância dos sonhos ou devaneios. Está enterrada. Virou página do passado e como tal só pode conviver com a gente feito fantasma, esqueletos de armário.

A realidade é outra, bem mais cruel. A cidadezinha gostosa, de clima saudável, de ruas pacatas e gente educada, está lotada de pessoas, de forasteiros, que por aqui aportaram atrás da fortuna e do progresso crescente da velha terra. Caratinga caiu no canto da sereia de que o progresso só se traduz em ruas cheias, desordenadas, carros aos montes, trânsito maluco, duas mil farmácias, 5 mil barzinhos e botecos, restaurantes caros e de comida duvidosa na maioria.

Ainda bem que o progresso tá que vem através da cultura e do saber dos cursos superiores. Boas gentes do passado foram substituídas por jovens comprometidos; se já não existem professores Armando Alves, Roldano, Waldemar, comprometidos com a educação familiar, aí sobrevive a interminável – graças – Míriam Mangelli; sem Monsenhor Rocha tem-se a sobriedade e o carisma do Monsenhor Raul, sem Padre Juquinha, vê-se Padre Humberto Borelli. Se foram sepultados o Colégio Caratinga, o Ginásio Nossa Senhora das Graças, Instituto Dona Isabel, Colégio das Irmãs, vieram as faculdades da Doctum e da Unec. Sem reverendo Uriel, veio Claudio seu filho, ao lado de seu filho Pedro, e por aí foi se transformando a minha velha Caratinga.

Há quem adore a atual. Particularmente não gosto. Minha filha Juliana, que nasceu na Capital, adaptou-se bem aqui, junto com a filha Luana, que também é de BH e mais Sophia e Stelinha que nasceram na nova Caratinga. Posso não gostar da atual Caratinga como gostava da velha Caratinga. Mas amo a atual porque acolheu tão bem quatro das sete mulheres que formam meus pilares do momento.

A Trincheira que está de férias, passando por Caratinga, no entanto assustou-se num aspecto. O comércio, sempre a grande força da cidade, não se ajustou na sua grande parte às pregações do mundo moderno. O cliente tem sempre razão e para enfrentar as lojas virtuais é preciso tratá-lo bem aqui. Não encontrei essa filosofia em algumas lojas da cidade, principalmente farmácias. Aquela da esquina da rua da Rodoviária velha e a rua dos Correios, no meio da confusão que os políticos maus administradores aprontaram no tal quarteirão – metade fechado e metade aberto, burrice descomunal – DROGARIA INDIANA – bem que pode passar por uma reciclagem nos seus atendentes. Um deles,brecou uma receita minha de Glifage XR, da farmácia popular, alegando que a mesma não tinha data. Mostrei-lhe o verso dela, com carimbo e data da rede Araújo, da Capital, absolutamente conceituada, e nem assim me atendeu. Sua burocracia fez-me procurar a farmácia seguinte, Inova, onde o atendente recebeu-me de braços abertos chamando-me pelo nome, reconhecendo-me como um filho da terra e não como qualquer forasteiro, que, certamente, me julgou o atendente bonitão, alto e com estilo de ator fracassado da novela das 10h na Globo. Fui embora pra praia entristecido, porque alguém da nova Caratinga desconheceu alguém da antiga Caratinga, que tanto bem fez e faz para as duas, sem qualquer interesse político, a ponto da bondade de remanescentes da única Caratinga possível – a Boa Caratinga – intitularem de Caratinguense Ilustre. 

2 comentários:

  1. Informação retirada do site da Araujo, uma pena empresas burlarem a Lei.
    Para compra ou retirada de medicamentos na Farmácia Popular, a receita deve conter:
    1- Data de emissão;
    2- Descrição do medicamento com princípio ativo de acordo com a Denominação Comum Brasileira (DCB).
    3- Dose recomendada de acordo com a disponibilidade da Farmácia Popular (www.saude.gov.br/aquitemfarmaciapopular);
    4- Endereço do consultório médico;
    5- Endereço do paciente / consumidor;
    6- Carimbo médico (com CRM);
    É fundamental que os médicos sigam estas recomendações, pois a Araujo, assim como as demais farmácias credenciadas, não está autorizada a fornecer produtos diferentes do que está especificado em receita.

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    1. E a quer apresentei na farmácia de Caratinga tinha isso tudo e mais o carimbo atrás garantindo que já havia sido usada antes.

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