sexta-feira, 11 de setembro de 2015

CASCATAS DE ESTRELAS

 
A Serra do Espinhaço despejava aquela cascata de estrelas,
que vinha aos meus pés, tapete de luzes brancas,
que eu cismava em pisar, com meus pés cansados
de procura-la  pra lavá-los, enxuga-los e massagea-los.
Como só você sabia fazer, mitificando minhas fingidas dores.
 
Foi então que descobri. O impossível não era encontra-la.
Principalmente naquele oceano de luzes piscando.
O impossível era você ser tão-somente uma estrela.
É uma constelação que a cascata de estrelas de Diamantina
transforma em afluentes do sangue de meu corpo,
que me chega despejado como baldes de diamantes,
de felicidade, de saudade, caídas da Serra,
E tão perto de Deus, que te levou antes do esperado.
aqui em baixo, pertinho de mim, eu te vejo.
 
Será por causa daquela aura branca,
quando me disse: "Vou virar estrela antes,
Lá de cima zelarei por nosso amor e por você.
Se me quiseres ver, falar comigo pelos olhos,
Me procure nas constelações mais próximas.
Aos teus olhos serei a estrela mais brilhante,
ao teu coração a mais bela de todas."
Levei na brincadeira e perguntei:
"Você me verá, zelará por mim,
mas quanto a mim, vou reconhecê-la".
-Se não me achares, use a mística do amor:
encha uma bacia de água clara e límpida,
em noite estrelada, leve-a ao terreiro.
No reflexo, estarei tão perto de ti,
que poderás me beijar, falar comigo,
e me acarinhar como fazias nas manhãs de entrega,
de sol pela janela e de amor com sofreguidão,
nos lençóis macios, amassados e soltos pelo chão.
Verás que estou sorrindo, desencantada,
ainda que amordaçada pela morte cruel.
Verás que nada falarei, mas piscarei pra ti.
Então poderás identificar-me.
 
 
Fiz o que me foi mandado, sem toca-la,
sem beija-la, mas falei com ela, chorei.
Não a reconheci entre tantas que piscavam
se pra mim ou para os seus amantes.
 
As 4 estrelas estavam lá, eu vi. Seria história,
fantasia, desespero? As 4 estavam lá!
Uma delas, a da direita, tinha um brilho superior.
 
Recorri ao céu mais estrelado que jamais vi.
Tão bonito e achegado, talvez com as mãos eu pegaria
uma estrela, quem sabe até mesmo a minha estrela.
A especial estrela que brilha até de dia.
O céu de Diamantina!
A Serra do Espinhaço por onde descem cascatas de estrelas.
Caem em nosso colo, deitam em nossos braços,
Entretanto, como procurá-la naquele mar de luzes?
Como procurar agulha no palheiro,
ou uma perola branca, saída da ostra,
dançando com as marés em noites de lua cheia.
 
A Serra do Espinhaço despejava aquela cascata de estrelas,
que vinha aos meus pés, tapete de luzes brancas,
que eu cismava em pisar, com meus pés cansados
de procura-la  pra lavá-los, enxuga-los e massagea-los.
Como só você sabia fazer, mitificando minhas fingidas dores.
 
Foi então que descobri. O impossível não era encontra-la.
Principalmente naquele oceano de luzes piscando.
O impossível era você ser tão-somente uma estrela.
É uma constelação que a cascata de estrelas de Diamantina
transforma em afluentes do sangue de meu corpo,
que me chega despejado como baldes de diamantes,
de felicidade, de saudade, caídas da Serra,
E tão perto de Deus, que te levou antes do esperado.
 
 
 
 
 
 
 
 
 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escolha a melhor forma de se identificar em Comentar como: Depois pitaque à vontade.