quinta-feira, 5 de novembro de 2015

NEI FRANCO FALA DE SUA DEMISSÃO NO CORITIBA


Meu amigo e conterrâneo Ney Franco, uma das maiores revelações como técnico no Brasil, foi injustamente dispensado do Coritiba, time feito nas Coxas e está de novo livre na praça.

Na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro, o Coritiba demitiu o técnico Ney Franco a cinco rodadas do término da competição. Apesar da frustração de ter deixado o cargo, palavra usada pelo próprio treinador, o ex-comandante disse acreditar que o time conseguirá permanecer na elite do futebol brasileiro. E se colocou à disposição para colaborar com quem for escolhido para assumir seu posto. Segundo ele, a demissão aconteceu porque o presidente do clube, Rogério Bacellar, teve de ceder à pressão da torcida e do Conselho Deliberativo.
- A direção foi objetiva comigo. Durante a tarde (de terça) fui comunicado pelo diretor de futebol da decisão e à noite jantei com o presidente, até me colocando à disposição para ajudar quem for assumir o cargo, que eu possa dar um suporte, passar algumas informações. O presidente gostaria muito da continuidade, mas entendo o momento. Ele está sendo muito pressionado pelo torcedor e, principalmente, pelo conselho. Então, até para o presidente ter uma tranquilidade para fechar a temporada, concordo. Mas saio do trabalho extremamente frustrado por não termos conseguido os resultados que esperávamos - declarou
Ney  lembrou que chegou a tirar o Coxa do Z-4, mas lamentou a sequência negativa nos últimos cinco jogos, o que deixa o clube com 70% de possibilidade de ser rebaixado (segundo o matemático Tristão Garcia) a cinco rodadas do fim. Para o treinador, a troca é uma medida para tentar mudar o cenário e tentar a reação.
- A saída é consequência dos maus resultados e, faltando cinco rodadas, é uma forma de troca de treinador com possibilidade de melhora de desempenho. Logicamente, gostaria muito de finalizar o trabalho - disse.
Ney Franco lembrou que o time chegou a ocupar a lanterna e lamentou que não tenha conseguido manter a sequência quando conseguiu sair da zona do rebaixamento . Ainda assim, ele elogiou o elenco, deixou um pedido aos ex-comandados e demonstrou acreditar na permanência do Coxa na Série A. 
- Nos momentos mais agudos, quando o clube ficou um período sem pagar, esses jogadores se propuseram ir a campo e trabalhar. Das equipes que estão de Figueirense para baixo, a diferença (na reta final) vai ser o grupo se fechar ainda mais, principalmente os jogadores se envolverem bem com o trabalho que for proposto e não ter uma desmobilização. Nos cinco jogos finais todas essas equipes têm, cada um na sua margem, probabilidade de escapar - afirmou  .

Ney Franco assumiu a equipe na sétima rodada do Campeonato Brasileiro. Em 27 jogos no comando, teve sete vitórias, 10 empates e 10 derrotas. Enquanto busca um substituto, o time será treinado interinamente por Pachequinho, ex-jogador do clube e observador técnico

EX-CRAQUE LEONARDO ESCULHAMBA O FUTEBOL BRASILEIRO

Em entrevista ao jornal "O Globo", Leonardo atacou a forma como o Brasil trata a marca do nacional e definiu a competição como "desinteressante".
"Precisamos criar uma nova estrutura para entrar no mercado. Estamos fora dele. Trabalhando direito, temos condições de fazer um NBA. Quanto custa o Neymar pra ficar aqui? Para o tamanho do negócio que se pode gerar, não é nada. Se, ao menos, fizéssemos um campeonato local forte, não precisaríamos nem competir com a Europa. A NBA não compete com ninguém e é um sucesso no mundo todo. Porque é um produto de altíssima qualidade. O Campeonato Brasileiro não passa em lugar nenhum do mundo. Não dá pra ver nem pela internet. Porque é um produto que não é reconhecido no mercado. Os jogos são desinteressantes.
Ex-jogador, dirigente e técnico, Leonardo definitivamente é um personagem com rodagem no futebol. Os anos em funções variadas deram ao ex-atleta uma visão diferente, a ponto de criticar duramente a estrutura do futebol brasileiro esse posicionar a favor de várias mudanças, que vão desde o conhecimento tático de Neymar até o nome do campeonato nacional., jogam em 70 metros, a TV não consegue nem enquadrar. Parece que há um desânimo, um conformismo. É assim mesmo, é assim que eu vou fazer e viver! E ainda se chama Brasileirão. Esse nome não pode ser internacional, nenhum estrangeiro entende, nem consegue pronunciar direito. Não vende lá fora...", disse.
Leonardo também falou sobre a noção tática de Neymar. Para o ex-jogador, o principal jogador da seleção brasileira está "atrasado" e ainda não é um craque completo.  
"Neymar falou que no Brasil se treina pouco. E ele só descobriu isso aos 22 anos! Será que ele não poderia ser melhor se tivesse descoberto isso aos 18? Se tivesse tido outras opiniões táticas, poderia ser um autêntico 10. Hoje ele é muito mais hábil, jogando com uma linha atrás. Ele tem tempo, ainda pode vir a se tornar um craque completo. Mas poderia já ser. Taticamente estamos muito atrasados. Thiago Silva aprendeu a ser zagueiro na Europa. Antes era um monstro só no físico. Virou o melhor do mundo lá fora. No Brasil a gente aprende a jogar bola, não a jogar o jogo", comentou.
Ao falar do conhecimento tático brasileiro, Leonardo acredita que existe uma confusão entre estratégia e jogo feio, o que atrapalha já que todas as outras grandes seleções evoluíram no quesito.
"Craque de bola é uma coisa. Ter estratégia é outra. A Alemanha hoje em dia tem talento, mas tem também estratégia. Já a Itália ganhou em 2006 só na estratégia. Materazzi, imagina, foi o artilheiro do time! Mas isso também é jogo! Só que a gente acha feio. Só que agora está todo mundo muito mais organizado taticamente. E para você conseguir fazer prevalecer o nosso talento, tem que estar organizado, pelo menos como eles. A gente precisa ter a visão do todo e depois colocar o jogador de talento.

NEYMAR TEM QUE SER ALGO MAIS NÃO A BASE DO TIME

 Aí, sim, vem o Neymar. Ele tem que ser o algo mais, não a base do time."
Para exemplificar a situação tática do Brasil, Leonardo citou o 7 a 1 sofrido diante da Alemanha na semifinal da Copa do Mundo.
"Não quero criticar apenas um jogo. Mas todo mundo sabia que a Alemanha ia pressionar a nossa saída de bola desde o início. Estava escrito. Se fosse um treinador italiano, ia dizer pro David Luiz mandar a bola lá pra frente e todo mundo sair. Os caras são melhores que a gente. Não dava pra jogar normalmente. Não sou contra um técnico estrangeiro, mas não acho imprescindível. Mourinho e Guardiola, sim. Não porque são estrangeiros. Mas porque são os melhores."

ADVOGADO FALA DO MEDO DOS JOGADORES

Apesar de novo artigo no regulamente que prevê perda de pontos e
rebaixamento a instituições devedoras, Dyego Tavares
aponta receio de jogadores com consequências
o atraso de salários é um dos maiores medos vividos por jogadores de futebol. No Brasil, a falta de pagamentos coloca o atleta contra a diretoria em um embate que nem sempre termina em acordo. O que seria uma solução, no entanto, ainda não deu sinais de surtir efeitos práticos. Mesmo após a Confederação Brasileira de Futebol incluir nos regulamentos das séries A,B e D a possibilidade de um clube ser denunciado e perder pontos por não honrar seus compromissos, poucos jogadores correm atrás do seu direito. 
De acordo com o advogado Dyego Tavares, especialista em direito desportivo, a irresponsabilidade dos clubes faz parte da realidade do futebol brasileiro. O não pagamento de vencimentos, rescisões trabalhistas, direitos dos atletas e até mesmo o 13º salário é encarado como natural. Segundo ele, o mais comum é o jogador se calar e ter medo em brigar por justiça.
- O atleta jogador de futebol tem uma profissão diferenciada das demais porque ele é uma pessoa pública. Quando ele expõe essa situação, tem duas situações que dão mais medo: a reação do próprio clube empregador, a reação do outro clube que pode vir a contratar e a reação do torcedor – disse ao “SporTV News”. 
Novidade em 2015, o novo artigo no regulamento do Brasileirão diz que um clube com trinta dias de atraso no pagamento dos atletas fica sujeito a penas que podem chegar à perda de pontos. A CBF encarregou o Superior Tribunal de Justiça Desportiva de analisar os casos, mas sequer um foi julgado até hoje. 

APÓS POLÊMICA, KEIRRISON É AFASTADO E NÃO JOGA MAIS PELO CORITIBA

- Nós recebemos e imediatamente nós tomamos ação. Temos recebido poucas denúncias e a CBF toma medidas que são severas, inclusive pedir que resolva a situação, com perspectiva de perda de pontos, rebaixamento e enquadramento dos dirigentes – diz o secretário-geral da CBF, Walter Feldman. 
Atualmente, são três possibilidades de se denunciar o atraso de salário: pelo próprio atleta, por um advogado contratado por ele ou via sindicato dos jogadores. Ao contrário da Justiça Trabalhista, não são aceitas denúncias anônimas.  

CASO KEIRRISSON (foto)

O caso mais emblemático que surgiu nos últimos dias foi do atacante Keirrison, do Coritiba. São mais de cinco meses de salários atrasados e, apesar do tabu em torno do tema, o jogador resolveu levar o caso à mídia e à Justiça Trabalhista. O atleta garante que deseja brigar por seus direitos, mas admite que considera difícil prejudicar o clube com perda de pontos. 
- O pensamento dos atletas não é prejudicar a instituição – afirmou. 
Jogadores que reclamam publicamente dos atrasos costumam ser punidos. Rosinei, também do Coxa, usou uma rede social para protestar e acabou emprestado ao Paranã, que disputa a Série B. Assim como o meia, Keirrison também foi afastado do time paranaense, passou a treinar separadamente e deve ser levado a um empréstimo. 

MACAÉ PODE SER PUNIDO

O primeiro processo que pode resultar em condenação pelo STJD é do Macaé. De acordo com o sindicato dos jogadores do Rio de Janeiro, há atletas com até seis meses de salários atrasados no clube. O time do norte fluminense pode ser o primeiro a perder pontos por esta causa. 
Na visão do presidente da Fenapaf, Federação Nacional dos Atletas Profissionais de Futebol, é comum a visão de que jogador de futebol não é um trabalhador comum. Reinaldo Martorelli afirma que muitos ainda veem o atleta como um “brincalhão”.

- Pouca gente enxerga no futebol a relação de trabalho do atleta com o clube uma relação verdadeiramente de trabalho, parece que é uma brincadeira, infelizmente ainda tem. A gente achou que tivesse evoluído bastante, mas não, você tem ainda pessoas responsáveis que enxergam o atleta como um grande brincalhão.



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