segunda-feira, 8 de agosto de 2016

BRASILIA DESPEDE-SE FELIZ DA SELEÇÃO OLÍMPICA, POIS QUER MESMO DISTÂNCIA DESTA PORCARIA
Por Alexandre Lozetti, Felipe Schmidt e Raphael Zarko


Newmar esconde a cara de vergonha depois do jogo. Mas, pergunto: o que este moço rico e famoso faz numa Seleção Olimpica sem comando e com muita responsabilidade?





Aposentado é bom por causa disso: não aguentei ver nem mais que 10 minutos do jogo Brasil x Iraque de tão ruim que estava. Botei no meu Netyflink, busquei uma goiabinha vermelha de Rio Casca, o que me acalma muito, e coloquei no seriado americano "Bones", uma boa mistura de romântico, com mistério e policial. Adoro cada capítulo. Por que então perder um seriado tão bom e me deixar envolver por uma porcaria como aquele jogo? Aliás, neste Brasil de hoje onde está o patriotismo? No golpista Temmer, ou no falso mineiro de Ipanema, Aécio Neves? Se não existe exemplo de patriotismo e amor à camisa do Brasil, aonde vou amarrar minha égua? Nas poucas coisas boas dos norte-americanos, - pensei comigo.
NÃO assisti ao jogo, portanto, não escrevo sobre ele. Pedi socorro à Globoesportes.com e republico na minha TRINCHEIRA, com um pedido a posteriori dos reporteres Alexandre Lozetti, Felipe Schmidt e Raphael Zarko que acompanharam a coisa bem de perto e contaram tudo, tim-tim por tim-tim, no dia seguinte. Então vamos lá:

"Uma “DR” interminável. Assim caminha a relação da seleção brasileira de futebol com seu torcedor. A sigla é usada para casais que “Discutem Relação”, é o rótulo de uma conversa chata que, em vez de soluções, pode culminar em feridas ainda mais abertas. Jorrou sangue na “DR” da seleção olímpica com o público de Brasília. O Mané Garrincha presenciou um dos mais bizarros climas já vividos num estádio. As mais de 69 mil pessoas louquinhas para apoiar, delirantes no grito inicial de “Brasil, Brasil”, 90 minutos depois cantavam o nome do Iraque a plenos pulmões, como se fosse uma atitude birrenta para causar ciúme.
Há muito tempo teme-se as reações da torcida quando a Seleção joga em casa. Depois do 7x1 isso se acentuou. A paciência é curta, o pavio é curto, dos dois lados. Como em alguns casais que discutem relação, não há mais a menor confiança de parte a parte. O jogador não se sente à vontade para errar o primeiro chute, pois sabe que será marginalizado. E a torcida se julga desprezada pelo pouco caso de quem está em campo. A autoestima foi para o buraco.
Se o torcedor da seleção não tem o costume de torcer, os sons marcantes do Mané Garrincha foram os mais variados. Destaque, o DJ tocou o tema de “Star Wars – Guerra nas Estrelas”, hits-anos 90 como a música do Pimpolho e Claudinho e Buchecha, tentou incendiar com Wesley Safadão. Mas o som que ecoou forte foram os pedidos por Marta, camisa 10 da seleção feminina, depois dos repetidos erros de Neymar, o 10 masculino.
Em pequeno número, os iraquianos, quem diria, fizeram muito barulho. Pelo menos até o COI (Comitê Olímpico Internacional) e a Polícia Militar tirarem um tambor do torcedor. Os brasileiros, que não estavam muito pacientes com seu time, tentaram defender. Pediram em coro que o instrumento ficasse. Em vão. A empatia Brasil-Iraque se criou desde cedo no Mané.
Vaias para Renato Augusto, aplausos para o invasor. Difícil ser racional numa “DR”. O meia que parece perder capacidade de competir em altíssimo nível a cada mês que passa no futebol chinês, foi crucificado pelo povo de Brasília. Depois de perder um gol sem goleiro nos últimos minutos, então, ainda apareceu no telão do estádio. Uma crueldade.
Por outro lado, o sujeito que, sabe-se lá se em protesto, embriagado ou realizando um sonho, desfilou sem camisa até ser parado por quatro seguranças, deixou o campo carregado e ovacionado. Valia tudo para esboçar o descontentamento com a seleção: aplaudir o Iraque, as meninas do futebol, o invasor...
O Brasil tinha, evidentemente, obrigação de vencer o Iraque, independentemente de qualquer reação do público. Mas não teve maturidade suficiente para encarar a desconfiança, própria e alheia. E largou os conceitos, as ideias, o conjunto. Exceto 20 bons minutos finais de primeiro tempo, nos outros 70 adotou estratégias pouco inteligentes, como sair correndo para cima do marcador como se ele fosse um fantasma ou insistir em cruzamentos para um time de baixinhos.
Rogério Micale mostrou-se preso. Às limitações de seu grupo, que tem apenas Rafinha – em más condições físicas – e Luan para mudar ofensivamente um jogo – embora, justiça seja feita, o lateral-direito William tenha entrado muito bem –, e a algo desconhecido que o impediu de trabalhar na área técnica como havia feito no amistoso e na estreia. Micale passou quase o tempo todo no banco de reservas. Saiu para reclamar com o árbitro e discutir com o técnico iraquiano em razão da catimba excessiva do rival.
Luan no lugar de Felipe Anderson, outra vez, não funcionou. Só deu certo contra a África do Sul com um a menos, o que relativiza bastante o efeito da substituição. Com nove minutos, Micale voltou ao esquema habitual, com três atacantes de origem (Neymar, Gabriel e Luan), mas teve no meio-campo dois jogadores cuja parte física tem sido um empecilho: Rafinha e Renato Augusto. Felipe Anderson, mesmo sem brilhar, faz falta no setor. A substituição, sempre a mesma, pode e deve ser repensada.
Some tantos problemas às péssimas noites individuais de Neymar e Gabriel Jesus, e desperte a ira de uma torcida, transforme um jogo de futebol numa tourada. 
Em Brasília, o povo mudou de lado durante o jogo. O próximo encontro está marcado para Salvador: quarta-feira, às 22h, contra a Dinamarca. Costuma ser um público mais acolhedor. Mas a seleção, que precisa de uma vitória para se classificar às quartas de final dos Jogos Olímpicos, também terá de saber se comportar na casa deles."



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