quarta-feira, 26 de outubro de 2016

HERÓI NACIONAL: CARLOS ALBERTO TORRES RECEBEU DESPEDIDA COMO TAL NO RIO DE JANEIRO.

Quem achou absurdo em rotular Carlos Alberto Torres, o Capitão da Seleção Brasileira do tricampeonato mundial no México, não viveu a melhor época do nosso futebol com um monte de craques vestindo nossa Amarelinha mundo afora. Como atleta teve a dimensão de Garrincha, Didi, Vavá, Tostão e Zagalo. Saiu do Brasil, quando desistiu da Seleção e seguiu os passos do Rei. Foi para os Estados Unidos e virou ídolo do futebol de Nova Iorque, no famoso time do Cosmos, cheio de craques, inclusive Pelé e Beckenbauer.

Sob a bandeira nacional, foi velado, na noite desta terça-feira, o corpo de Carlos Alberto Torres e vítima de infarto fulminante, aos 72 anos, em sua casa, no Rio de Janeiro.Muito novo, eu posso encarar assim, pois tenho 73. Acompanhei a história de Carlos Alberto desde quando surgiu no Fluminense e depois no Santos de Pelé e na Seleção Brasileira. Quis o destino que eu viesse trabalhar na Imprensa falada de BH  e o pessoal do Peixe, no Hotel Brasil Paláce, o melhor da Capital na época  fosse o meu primeiro time grande de São Paulo que eu entrevistasse. Acabei me tornando conhecido do Rei, de Lima, de Torres, do Zito, Coutinho e Pepe. Chegava ao hotel e entrava logo pra pegar a turma. Além do mais, eu era repórter da Rádio Guarani, emissora da Rede Tupi, e a mais ouvida de Minas.

BOM DE BOLA BOM DE BRIGA

A morte de Carlos Alberto Torres trouxe à tona histórias marcantes sobre a vitoriosa carreira do ex-jogador. O ‘Capita’, como ficou conhecido por ter sido o responsável por levantar a Taça Jules Rimet após o título brasileiro na Copa do Mundo de 1970, foi tema de entrevistas realizadas com ex-jogadores que tiveram passagens importantes pelo futebol mineiro.

Conhecido pela tranquilidade e felicidade fora dos gramados, Carlos Alberto Torres também protagonizou entreveros históricos dentro deles. No duelo entre Seleção Brasileira e Atlético, em 1969, o eterno capitão se envolveu em confusão com Dadá, ídolo alvinegro.

"Ouvi uma gravação do João Saldanha (então técnico da Seleção Brasileira) me criticando. Respondi pela imprensa e mandei o Saldanha praquele lugar. Respondi à altura. O Saldanha, covardemente, mostrou minha resposta aos jogadores. E o Carlos Alberto comprou a briga. No jogo, o Carlos Alberto me deu uma entrada violenta. Nós discutimos e brigamos. E passamos o jogo discutindo. E ficamos brigados", conta Dadá, que explica como ocorreu a reconciliação.

"
Acabei indo para a Copa de 70, com o Zagallo. Na Seleção, durante a Copa, eu e o Carlos Alberto não conversávamos. Anos depois, ocorreu um evento para que os jogadores da Seleção conversassem com algumas pessoas e os escolhidos foram justamente eu e o Carlos Alberto. Lá nos abraçamos e voltamos a conversar. Ficamos muito amigos. (A morte) foi um abalo muito grande. Fomos inimigos mortais. Mas depois viramos amigos leais", diz Dario.

As confusões, no entanto, eram momentos raros para Carlos Alberto. Conhecido pelo jeito “leve” de viver, o ex-lateral direito colecionou amizades no futebol - tanto quando jogador, quanto quando treinador. Nas quatro linhas, revolucionou a maneira de jogar de um lateral.

"Joguei com ele no juvenil, começamos juntos. Foi um jogador espetacular. Foi o cara que começou essa leva de laterais que apoiam o time no ataque. Ele foi um dos que começou, pois tinha muita categoria. Eu achava que podia jogar no meio do campo, mas ele era muito alto, desengonçado", conta Evaldo, ídolo do Cruzeiro e ex-companheiro de Carlos Alberto no Fluminense.

Entretanto, antes do reconhecimento, chegou a ser duramente questionado nas categorias de base - por conta do comportamento.

"Carlos Alberto era um brincalhão, só tinha tamanho. Aos 17, 18 anos só vivia de brincadeira, sacanagem, não levava nada a sério. Por conta disso, Nilton Cardoso, treinador na época, falou que ele não jogava nada. Se Carlos Alberto não jogava nada, estamos perdidos", conta Evaldo.

Nos tempos de categorias de base, a principal crítica ao ‘Capita’ eram as dificuldades por ele enfrentadas na marcação.

"Quando ele subiu do juvenil, naquela época os técnicos falavam que tinha que marcar. Eu falava que ele tinha que ir pra frente", relembra Procópio, ex-jogador de Atlético e Cruzeiro e parceiro de Carlos Alberto no Fluminense.

Anos depois, foram justamente as habilidades defensivas do ex-lateral que ajudaram o time carioca a conquistar um prêmio curioso durante excursão pela Europa.

"Tive a felicidade de conviver e vê-lo subir para ser o maior lateral de todos os tempos. Os que ficam, ficam triste e saudosos. Mas é pelas coisas boas que vamos lembrar dele, das concentrações, das viagens. Na Rússia, durante o jogo entre Fluminense e Seleção Russa, ele marcou o melhor jogador russo e deu um show. Foi um jogo que terminou 0 a 0. Assim, o Fluminense ficou invicto na Europa. Por isso, ganhamos um prêmio para ver o Papa Paulo VI ser eleito", contra Procópio.

Trincheira - Quando um zagueirão imortal feito Procópio elogia Carlos Alberto Silva está avalizada a conduta de craque ele. Procópio foi um dos maiores zagueiros e atuou ao lado do Capita

O sepultamento do ‘Capita’ foi marcado pra esta quarta-feira, às 11h, no Cemitério do Irajá. O corpo, levado em caminhão do Corpo de Bombeiros, numa imensa carreata que deixou a sede da CBF rumo ao local do enterro. No cortejo, os fãs poderam se despedir do ex-lateral-direito, que comandou a Seleção Brasileira na histórica conquista em gramados mexicanos

Carlos Alberto Torres morre aos 72 anos

Carlos Alberto Torres, capitão da seleção brasileira na conquista da Copa do Mundo de 1970, morreu nesta aos 72 anos, vítima de um infarto, anunciou a emissora "Sportv", onde o ex-jogador trabalhava como comentarista.O ÍDOLO estava em casa, descansando e jogando palavra. De repente passou mal e caiu no sofá
O "Capita", como ficou conhecido, é autor de dois momentos históricos do futebol brasileiro, o quarto gol na vitória sobre a Itália por 4 a 1, e por levantar a Taça Jules Rimet, então conquistada em definitivo pelo país.

Como jogador, Torres defendeu Fluminense, Santos, Botafogo, Flamengo e New York Cosmos. Começou como lateral-direito e também foi zagueiro, tendo no currículo inúmeros grandes momentos, conquistando infinidade de troféus, estaduais e nacionais.

Jogador talentoso, versátil e de muito vigor físico, o Capita integrou seleção do século XX da América do Sul, ao lado em time que ainda contava com Fillol; Figueroa, Passarella e Nilton Santos; Rivellino, Didi e Di Stéfano, Garrincha, Maradona e Pelé.

Além disso, foi técnico de diversos clubes no Brasil, tendo sido campeão brasileiro logo no primeiro ano na função, em 1983, com o time da Gávea. Ajudou o Fluminense a vencer o Campeonato Carioca no ao seguinte, e o Botafogo a conquistar a Copa Conmebol, em 1993. Também comandou as seleções de Omã e do Azerbaijão.

Pai de dois filhos, um deles o ex-zagueiro Alexandre Torres, Carlos Alberto Torres chegou a ser eleito vereador no Rio de Janeiro, para legislatura vigente entre 1989 e 1993. Em 2008, chegou a se candidatar a vice-prefeito da cidade, pelo PDT, em chapa encabeçada por Paulo Ramos.

Por meio de redes sociais, clubes como Botafogo, Flamengo, Corinthians, Náutico, assim como o presidente do Fluminense, Peter Siemsen, e personalidades do mundo do esporte, como o ex-capitão da seleção brasileira de vôlei, Nalbert, já se manifestaram, lamentando a morte do ex-jogador.

Grande líder e capitão. Não só do Brasil, mas do futebol, por onde passou. Respeito, exemplo, capitão de uma Seleção que só tinha craques. É a vida, está descansando e vamos ficar aqui lembrando desse grande atleta e homem. Peguei ele no final da carreira, jogando contra, convivi com o filho. Nos encontrávamos sempre com diplomacia”, disse Roberto Dinamite.

ENCONTRO COM 3 ÍDOLOS

Num certo episódio de minha vida profissional, eu me encontrei no Hotel Oton Palace, com três feras das Seleções Brasileiras Campeãs do Mundo; Hideraldo Luiz Bellini, que levantou a Taça em 1958, na Suécia e imortalizou o gesto que os outros capitães do mundo inteiro vieram usar ao receber a Taça do Mundo.
Lá estava, também, o menino Carlos Alberto Torres, de uma geração de laterais direitos fantástica, e que levantou a Copa do Mundo, do tricampeonato, no Estádio Asteca, no México. O papo foi divertido e durou umas três horas, enquanto a gente mandava um frango com quiabo regado a Brahma gelada.
 Depois deu sono em Bellini e Mauro, dois fantásticos zagueiros centrais que combinaram uma jogada nota 10. Bellini seria titular em 58 pra formar zaga com Orlando - o sarrafo humano - seu companheiro de Vasco da Gama. Sucesso total! Porém em 62, no Chile Mauro teria de ser o titular e o capitão. Ambos tinham grande liderança no grupo; em campo, Bellini era mais raçudo, tipo beque da roça, mas com algum toque de classe e Mauro Ramos de Oliveira, mineiro de Poços de Caldas era técnica pura, nada de dar botinada; formou a zaga com Zózimo, do Bangu, outro paredão intransponível.
Perguntei ao Bellini sobre uma história que se contava sobre uma bronca dele em Orlando Peçanha. O quarto zagueiro do Vasco. não era sopa não. Batia muito e tinha excelente técnica. Bellini o alertara que na Copa do Mundo, os árbitros são duros, expulsam e marcam pênaltis sem pestanejar. Orlando apenas respondeu: "Deixa comigo, capitão".
No jogo contra a Inglaterra, que terminou em 0 a 0, o Brasil passava aperto. Meteram umas das famosas bolas aéreas pra área brasileira e Bellini não chegou nela pelo alto. Orlando estava logo atrás. Matou a bola no peito e quando um atacante inglês ferveu  nele,, antes de deixar a bola cair, aplicou um lençol na marca do pênalti sob o olhar aterrorizado de Bellini e do técnico Vicente Feola que do banco gritou: "Não deixa não Bellini, o Orlando vai entregar o jogo nestas presepadas.", Depois do primeiro drible, Orlando aplicou outro e meteu um bico na bola lá pra frente.
O Capitão Bellini puxou-lhe a manga do uniforme e esbravejou: "Se você fizer outra bobagem dessa, e lhe dou uma porrada, ainda que seja expulso". Com sorriso sarcástico, Orlando olhou bem nos olhos de Bellini e falou: "Capitão, você não será expulso, nem vai me dar porrada. Agora, se aparecer a chance, faço de novo. Só faz uma beleza daquela quem sabe jogar; olha como a torcida sueca não para de aplaudir"

OUTROS EPISÓDIOS que o trio me confirmou: o caso do Marco Antônio, lateral esquerdo do Fluminense, bom de bola, mas um tanto mascarado. Na Copa começou a rebolar demais, Pelé chamou a atenção dele e no jogo seguinte, após uma reunião entre Carlos Alberto, Gerson,  o capitão Zito e o técnico Zagalo, e mais Carlos Alberto Parreira e Claudio Coutinho, ambos interferência que deu certo do Exército na Seleção,  o lateral Marco Antônio foi sacado do time, indo pra reservar e não mais jogou. Entrou o falecido Everaldo, que na base da madeira gaúcha, ganhou a posição e fechou aquele setor.
Confirmaram, também,  Mauro, Bellini e Carlos Alberto Torres que no jogo contra a Bulgária, Fontana esperneou porque estava na reserva de Piazza que era volante. -" Eu vim numa copa e não vou entrar em campo nem uma vez sequer, é um absurdo professor " chiou com Zagalo. Pelé,  Gerson , Zito e CA Torres chamaram Zagalo num canto e o convenceram a mudar a equipe porque o adversário era fraco. Piazza voltou pra volante  e Fontana entrou. O jogo foi duro e terminou 3 a 2 para nós, mas no final, numa falha de Fontana, quase que eles empataram.



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