terça-feira, 6 de junho de 2017

Cuida Bem de Mim
Compositor e cantor: Dalto
Hoje me veio no cantinho das recordações boas, aquela música Muito Estranho ou Cuida bem de mim - composição e sucesso de Dalto, um jovem de Niterói, nascido em 1949, que depois de estourar com esta canção nas paradas de sucesso e mover muitos corações apaixonados, sumiu da mídia.
Por onde anda Dalto?  O que tem feito o Dalto? Quem souber me informe.  No Google encontrei uma postagem de alguém que, também, sente falta de Dalto.
Transcrevo abaixo:
Alguns artistas fazem muito sucesso com uma música ou filme e depois “somem”, não se ouve mais falar deles. Infelizmente é o caso de Dalto, há anos não o vejo na TV nem ouço nenhuma música sua. É uma pena porque ele tem um som bem diferente e acho que teria muito a acrescentar à música brasileira, tão rica em ritmos e gêneros e que comportaria muito bem suas criações.
Será que seu “sumiço” se deve ao fato de não fazer música comercial? Talvez “Muito Estranho”, seu maior sucesso, tenha acidentalmente caído no gosto popular mas isso não tenha feito com que o cantor mudasse seu estilo. Será que é isso? Não sei. Alguém aí sabe do Dalto? (Zailda Coreano)
A letra segue aí, mas vale a pena baixar a música no Youtube. Já fiz isso.
Muito Estranho
Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito estranho
Deixa essa água no corpo
Lembrar nosso banho
Hum! Mas se um dia eu chegar
Muito louco
Deixa essa noite saber que um dia
Foi pouco
Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir nosso sonho
Hum! Minha cara, pra que tantos planos?
Se quero te amar e te amar
E te amar muitos anos
Hum ! Quantas vezes eu quis
Ficar solto
Como se fosse uma lua
A brincar no teu rosto
Cuida bem de mim
Então misture tudo dentro de nós
Porque ninguém vai dormir nosso sonho

IDADE DA PRATA, DO OURO DO CHUMBO

Flávio Anselmo - 18-10-2013

Hoje, dia 18 de outubro de 2013, chego à idade do saber: 70 anos.
Ou poderia ser a idade da confirmação?
Na verdade, a gente descobre aos 50 anos que mudanças ocorrerão na nossa vida; e elas, realmente, acontecem.
Não existe aquela história de prata na cabeça, ouro no bolso e chumbo no saco?
Você sabe que isso lhe acontecerá, mas não acredita.
Fica ali imaginando se pelos 20 anos que terá pela frente se, realmente, entrará na fase prorrogação ao chegar e passar dos 60.
E como será chamada da chegada aos 70?
Decisão nos pênaltis? E se sobreviver vai pra cobrança alternada?
Mas os 70 são uma idade da confirmação de tudo que já se criou, sem dúvida.
Até aquela mentira da prata na cabeça, do ouro no bolso e do chumbo no saco.
Na cabeça a maioria de nós, setentões, ganhamos uma pista de pouso e decolagem pra mosquitos, sujeita ao inclemente sol e ao câncer de pele cada vez atacando mais.
Nada de prata, portanto. No bolso, pra mim pelo menos, não sobrou ouro, apenas aposentadorias do INSS e do Ipsemg, cujos benefícios perdem até pro aumento dos salários mínimos, e abaixo da inflação.
Aí vem a verdade: chumbo no saco. A pior das confirmações e a que se arrasta por mais anos, desde que você ultrapassa os 60 anos.
Descobre que o Viagra de 20 já não resolve mais; porém, tem medo do de 50, recomendado pelo médico.
Se for diabético descobre que nem o de 50 e talvez o de 100, ou, possivelmente, uma tal infiltração no descansado membro.
Ah, direis, como consolo: é a confirmação da idade da sabedoria acumulada pela experiência de anos e anos de janela de observação e convivência com as múltiplas excentricidades da vida. Que nada! A memória encurta. Com muita luta se consegue lembrar dos tortuosos caminhos percorridos nos bons tempos da adolescência e da mocidade.
Mas o tempo recente cai num lapso constante.
Nos 70, confirma-se rapidamente que a memória não lhe permite lembrar mais o último livro que leu há dias, qual o enredo dele e o seu o autor.
Pior se ele, autor,  é famoso. Mas não liga não. O livro é porta do prazer da leitura.
Quando se mergulha na leitura, a gente passa por esta porta, entra no enredo, torna-se personagem. Vive um mundo superior, prazeroso.
Livro serve pra isso e não pra acordar seu espírito arrogante e vaidoso. Ou pra torná-lo intelectual de boteco, chato, desmancha roda.
Cheguei aos 70 neste 18 de outubro, coincidente com o 18 de outubro de 1943, quando nasci na rua Raul Soares, ex-rua das Flores, em Caratinga.
Chego aos 70 diabético, safenado, mas de espírito elevado. Altruísta, pacato, menos exigente com as coisas do mundo e comigo mesmo.
Sempre fiz o que gostaria de fazer como advogado e jornalista. Conheci gente de diversas facetas, cores e credos. Viajei bastante, plantei árvores e escrevi vários livros.
Tive filhos e netas. Só não vou pegar terço e sentar na varada de casa pra rezar. Nem me postar diante da TV pra curtir novelas e mais novelas.
Pretendo tentar escrever as minhas próprias novelas, vencer os 70 e atingir os 80 e 90 com a mesma disposição.
Pretendo chegar aos 150 anos, só não sei dizer se isso tá na cartilha do Homem lá de cima. Das vezes em que o Homem tentou levar-me, esperneei feito menino birrento. E não subi.
Fiquei perto de subir, vi arco-íris de cores vivas e diferentes. Conversei com anjos, vi uma porta encimada por cores que não distingui. Porém, fiquei por aqui mesmo. 
Foram 20 dias de conversas desconexas, imaginação fértil no trabalho subjetivo, nesse leito de UTI, sozinho, acompanhado tão-somente de meu anjo invisível de guarda.
Enquanto não resolvem lá em cima qual será o meu destino, vou ler o possível, e com minhas letras pintar a trilha aprofundada dentre a mata virgem que minha imaginação traça nos momentos de paz. 

          Vou em paz, atrás do meu destino, da vida que me resta e que não tem muito                      tempo, não.

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