quarta-feira, 24 de janeiro de 2018

INESQUECÍVEL CARIOQUINHA DO MÉIER


Pelos meados de 1957, nas férias escolares de julho, eu estava  em Caratinga, após seis meses de internato no Ginásio de Viçosa. Na casa dos meus pais, sob o olhar conservador de Dona Geralda, minha mãe, eu contava os dias pra Festa do Vermelhense Ausente, no pequeno Vermelho Novo, distrito de Raul Soares, atualmente município  emancipado e com estrada asfaltada até o centro do lugarejo.  A festa congregava várias famílias, entre elas a minha, Pontes de Assis. Um mês de dança, banda de música, retretas dominicais, fogos, jogos e o povo irmanado nas ruas poeirentas . Garotas de todas as partes, acompanhadas dos pais, também filhos da terra.E a quantidade não decepcionava, pois a maioria era meninas inteligentes e bonitas.

E Caratinga, no Hotel da minha família, chegaram uns dias antes o Dr. Geraldo Costa Chaves, com esposa Jurema e filha Terezinha,  gatinha carioca nascida no Méier , de apenas 12 anos, dois menos que eu, nascido em 18 de outubro de 1943. De cara, com  jeitinho simpático e a ajuda da prima Leide Isabel e seus irmãos Helanio, Mariuza e Cheyla comecei namorá-la . Fomos até ao da Baile no Clube Municipal de Caratinga. Seus pais também foram conquistados por mim. Nossa casa, recebeu vários parentes do Clã Pontes de Assis  e parentes afins como era o caso do Dr. Geraldo, sobrinho de João Guimarães, casado com  Tia Mundica, irmã de minha Mãe.

Depois de alguns dias em Caratinga, esvaziamos a casa dos Anselmo e partimos pra Vermelho Novo, onde estavam reservadas várias casas para nos alojar. Fiquei junto com o pessoal do Tio João e Tia Mundica, a convite do primo Helânio . Lá estava, também, a bela carioquinha do Meyer. Nosso namoro já se transformara em paixão. Certa noite, uma turma batia papo na varanda extensa da casa, sob liderança da Leide Isabel . Na brincadeira dos mais corajosos da roda, surgiu o desafio do beijo na boca. Fui desafiado, bem como Terezinha, que estava deitada num colchonete, enrolada com Cheyla.

Eu me agachei ao seu lado, enquanto Leide provocava os dois."Beijem, quero ver se têm coragem. Vamos lá Flávio".  Não resisti e Terezinha muito menos. Aproximamo-nos mais e de lábios cerrados, beijamo-nos, da forma que hoje chamam de "selinho". Mas o suficiente. Foi como aquele  beijão artístico, de final de filme hollydiano . Língua com língua. Beijo dado, Terezinha deu um grito de susto e se enfiou para debaixo das cobertas. E eu parti em alta velocidade, rua afora , à procura das confusões festivas no centro da vila. Foi sensacional, inesquecível e eu me apaixonei pela carioquinha e  por muitos anos.

A história não terminou aí. Dez dias depois, Terezinha, com sua família, pegaram o ônibus da Citran de volta ao Rio de Janeiro. Na velha rodoviária de Caratinga, o garoto de 14 anos chorava ao ouvir: "Adeus, meu amor, é hora de partir, levando esta saudade, eu vim me despedir..." música cantada pelos parentes que, também, ficariam. Alguns dias após, Flávio partiria para o colégio interno, segundo semestre, com Terezinha no coração. A saudade era tão grande que ele colocava as iniciais da garota no final de todas os deveres escolares: TCC - Terezinha Costa Chaves.O tempo, no entanto, solução dos problemas amorosos, apagou a paixão por causa de outras que vieram.

Em 1966, morando em Belo Horizonte, jornalista em atividade em vários veículos de comunicação, Flávio encontrou-se com o Prefeito de sua cidade, Tim Chagas, que o convidou a viajar ao Rio, na Rural da Prefeitura, onde ficariam alguns dias, enquanto a filha do prefeito fazia um tratamento médico. Lá no Rio, Flávio despediu-se e foi pra Niterói  se encontrar com seus Tios João e Mundica, além dos primos. Mal chegou e Leide ligou para Terezinha comunicando que o ex-namorado estava na praça. No dia seguinte, Terezinha pegou uma barca da Cantareira e se mandou pra Niterói. O reencontro foi festivo e espetacular, afastando toda saudade existente.

Os dois dias de Flávio duraram l5 e por pouco não foi o resto da vida. Mas teve que voltar, convocado urgente em BH. Voltou com o coração na mão de novo assombrado pelos acontecimentos de Caratinga, na Rodoviária. E  cortina do teatro da vida desceu de novo, encerrando em  definitivo esta história ao vivo de tanto amor. Que, entretanto permanece viva até hoje nas almas ardentes dos dois. (fim)

 

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