sexta-feira, 23 de março de 2018

LEVA-ME CONTIGO, MINHA SABIÁ TRAVESSA

 

A SABIÁ DA SERRA DO CURRAL

 

Flávio Anselmo

 

A Sabiá da Serra do Curral

tem canto suave

Suave feito nascente de rio no pantanal

Ou como nascente entre pedras.

E corre montanha abaixo,

numa sonoridade de vento madrugadeiro,

que assobia no  balanço do ninho,

nas grimpas do eucalipto arruaceiro.

 

Por isso ele se desfaz em folhas secas ,

esparramam-se na trilha do caminheiro,

na viagem calma dele rumo ao planalto,

após caírem bem lá do alto

 

A Sabiá voa infeliz pelo amor

deixado pra trás, no chão, fora do ninho,

de onde caiu ao vento forte - do norte;

Bem que a Sabiá tentou salvá-lo

se conseguisse levá-lo.

Mas como voar com aquele peso?

 

Chorou, pediu ajuda aos amigos,

Voou sozinha e prometeu voltar;

Para de asas cruzadas com ele cantar,

 a canção do  amor eterno.

Igual como faziam escondidos

na mansidão do ninho deles dois

Ninho, cujo arquiteto foi Deus.

Era tudo de bom pra eles e os seus.

Enquanto voa a Sabiá devaneia

e fala ao amado pelo coração

 -Te amo, assobia ela,

-Eu também te amo -revela ele.

- Me dão vida os beijos teus

Confessa a Sabiá.

-E os teus são preces que aninho,

-Alimentam minh'alma de passarinho

 

No chão do caminho,

ainda abatido pela queda

das grimpas do eucalipto,

o Sabiá sonha,e se questiona:

 " Ela voltará?"

Pelo tombo, doem-lhe as asas,

queima-lhe uma ânsia da espera

 

Acredita na volta, não se desespera.

A saudade já lhe corrói o íntimo,

remorso do que deixou de viver

com ela, passou a sofrer.

Em pleno voo, a Sabiá também convive

com remorso das horas perdidas,

em trocas inadvertidas

Do amor por amizade.


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