terça-feira, 13 de março de 2018

TRINCHEIRA DE FLAVIO ANSELMO

 Bebeto de Freitas, técnico da Geração de Prata do vôlei masculino, morre aos 68 na Cidade do Galo

 

Bebeto não resistiu a parada cardíaca no evento de apresentação do time de futebol americano do Atlético e morre na Cidade do Galo

 

Posso afirmar sem medo de errar que o esporte brasileiro está de luto com a morte: Bebeto de Freitas  nesta terça-feira aos 68 anos, em Belo Horizonte. O então diretor de administração e controle do Atlético não resistiu após sofrer  parada cardíaca quando acompanhava o lançamento oficial do time de futebol americano do clube, na Cidade do Galo.

 

Bebeto e eu tivemos as nossas diferenças na sua primeira passagem por BH, na administração de Alexandre Kalil, em virtude de personalidades fortes. Ele ao chegar em BH, com certeza, imaginou que tomaria conta da mídia local, o que não conseguiu no Rio de Janeiro, apesar de ser sobrinho de João Saldanha, ícone da Imprensa em razão de seu trabalho como treinador do Botafogo e da Seleção. Porém não transferiu este charme para Bebeto.

Bagagem de, também, vencedor Bebeto tinha, mas era todo arrogância e antipatia. Em BH, cismou de ensinar a Imprensa como trabalhar na Cidade do Galo, nas coletivas e nas opiniões. Por isso, se espetou comigo, como acontecera antes com Levir Culpi e nós quase saímos nos tapas na frente da televisão.

Foi embora e o retorno ao Galo, com Kalil presidente ainda, foi uima batalha vencida pela convicção do Urso Bravo. Kalil marcou encontro comigo e Afonso Alberto, dois principais desafetos de Bebeto e confirmou a volta dele ao clube. Pediu nossa consideração e que déssemos trégua nas passadas pendengas. Fizemos isso, até porque Bebeto, também, mudou de postura e se integrou mais.

Bebeto de Freitas chegou a ser atendido por um helicóptero do Corpo de Bombeiros e duas ambulâncias (do Samu e do Corpo de Bombeiros). Em nota, o clube decretou luto oficial de três dias e afirmou:

" É com muito pesar que informamos o falecimento de Bebeto de Freitas, Diretor de Administração e Controle do Atlético, nesta terça-feira. Ele sofreu  parada cardíaca, pouco depois de participar de um evento na Cidade do GALO. O Diretor foi atendido prontamente, mas não resistiu".

CARREIRA VITORIOSA

A carreira de Bebeto de Freitas no esporte teve início nas quadras de vôlei. Foi  dos grandes jogadores de vôlei do Botafogo, campeão carioca entre 1965 e 1975. Além de  defender a Seleção Brasileira nos jogos Olímpicos de 1976.

Em seguida, passou por  desafio  maior no vôlei: comandar a Seleção Brasileira masculina. Sob o seu comando, fez história em 1984, como técnico da "Geração de Prata".  Depois, comandou o Brasil na Olimpíada de 1988.

Também como técnico, consagrou-se em outro país: na Itália, liderou o Mexicano Parma, onde foi campeão cinco vezes. O grande desempenho o levou a assumir o comando da Azzura entre 1997 e 1998, e faturou a Liga Mundial de 1997.

Em 1999, Bebeto mudou de ares e de território: aceitou o convite para ser manager do Atlético - a equipe faturou o Estadual e foi finalista do Brasileiro. Dois anos depois, voltou ao clube, que ficou na quarta colocação no Nacional. Entre 2003 e 2008, Bebeto de Freitas assumiu um desafio ainda maior: o de presidente do Botafogo. Em sua gestão, reestruturou o clube que acabara de ser rebaixado, e o Glorioso voltou à elite, além de conquistar o Carioca de 2006.

Em 2017, o ex-dirigente assumiu a  Secretaria de Lazer da prefeitura de Belo Horizonte, a convite do atual de Alexandre Kalil. Mas deixou o cargo com a eleição de Sérgio Sette Câmara, para se tornar diretor de administração e Controle do Galo, em seu último trabalho.

Bebeto de Freitas foi um dos maiores botafoguenses da história. Capaz de fazer tamanho esforço pelo clube que impediu seu apequenamento no momento nem que mergulhava no mar revolto da segunda divisão, sem bote e colete salva-vidas.

Colocou a mão no próprio bolso e o casamento em crise ao ampliar a capacidade do Caio Martins para que o time lutasse pela volta à Série A no estádio de Niterói, então transformado em caldeirão. Pegou o timão para controlar o barco num momento em que muitos pularam fora.

 Sobrinho do jornalista, técnico de futebol e gênio da raça João Saldanha, Bebeto era primo do craque Heleno de Freitas. Sangue quente hereditário e alvinegro nas veias. Fez história no vôlei, com participação fundamental no desenvolvimento e popularização da modalidade no país. E brilhou na Itália.

 

Trabalhou por duas vezes no Atlético, morrendo em Minas Gerais, após passar mal na sede do Galo, onde também deixa seu nome gravado. Mas cabe aos botafoguenses a maior gratidão. Bebeto impediu que o clube seguisse o terrível caminho trilhado pelo América do Rio para a morte..



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