sábado, 28 de abril de 2018

A VIDA É POESIA…


Para mim, que tenho dois livros de poemas publicados e um deles - Divinas Marias - muito elogiado pelo amigo e conterrâneo Zélio Alves Pinto, dos maiores artistas plásticos e caricaturistas deste País, segundo seu irmão Ziraldo, o maior de todos, este texto abaixo do psicanalista Evaristo Magalhães, serve de despertador. Diz ele: 
"-A vida ficaria muito mais leve se a víssemos sob a ótica da poesia e não da ciência. A poesia nos oferece infinitas possibilidades. A ciência quer a essência de tudo. A ciência é normativa e normalizadora. A ciência busca a constância e a regularidade de tudo. A ciência não admite o contraditório. A ciência é asséptica. A ciência quer uma felicidade chata."
-" Não há vida sem dor, mágoa, tristeza angústia e ansiedade. Também, não há vida sem alegria, prazer e gozo. A vida não é oito ou oitenta. A vida não é isso ou aquilo. Não existe a felicidade pura. Ninguém se acha cem por cento bonito. Ninguém é plenamente equilibrado. A vida é mais literatura que ciência".
-" Prefiro pensar a vida como poesia e não como uma equação matemática. Viver é fazer poesia vinte e quatro horas por dia. A vida é engraçada – exatamente – porque é irregular e inconstante. Hoje posso amar mais e amanhã menos. Mente, quem se diz alegre o tempo todo. Na vida, como na poesia, todas as contradições são possíveis".
-" Agora posso estar mais relaxado, daqui a pouco posso me entupir de tensões. A vida não é previsível. Meus dramas, minhas queixas e meus sintomas não deveriam ser patologizados – mesmo porque não existe vida isenta de alguma dor. A dor de viver – de modo geral – existe como uma invenção para uma dor maior. Nesse sentido, doer é uma criação poética". -
-"Está mais do que provado de que o prazer não dá conta de tudo. A vida seria um saco se fôssemos felizes o tempo todo. Doer faz parte. A questão é forma como nos fizeram enxergar a dor. Penso que já passou da hora de encararmos a vida real. A vida real é o lugar de todos os possíveis".
-" Não retire do outro as suas poesias. Não julgue a capacidade de invenção de cada um para as suas questões. O drama é singular: cada um sabe a dor e a delicia de ser o que é. A vida perderia completamente o seu sentido se ficasse reduzida a uma coisa só".
Evaristo Magalhães – Psicanalista
TRINCHEIRA: Grato, Evaristo, e concordo com a sua análise, pois faço poesia 24 horas. Antes duvidava de minha capacidade e o Zélio ao descobrir nos seus alfarrábios o meu livro "Divinas Marias", chamou-me de poeta. Acreditei nele. Larguei o futebol, onde vivi 60 anos como comentarista esportivo e conheci metade do mundo em quatro copas que cobri, fui dedicar-me a escrever. 
Os primeiros livros de pequenos contos e textos livres. Depois, poemas - nunca os chamei de poesia, por falta de métrica e rimas. Entre no mundo dos romances, mas voltei às poesias de métricas simples e rimas caducas.Cheguei a 20 livros e mais alguns no prelo. Me sinto bem melhor. 
Estou feliz. Ziraldo me citou no seu último livro "O aspite. Há um jeito pra tudo", como uma das glórias de Caratinga, ao lado de Miriam Leitão, Aguinaldo Timóteo, João Etienne, sem citar Ruy Castro com quem anda aos tropeços. Ou seu irmão Zélio. Parabéns pelo texto.

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