quarta-feira, 18 de abril de 2018

CONTO DO FLAVIO ANSELMO

  • ESTE É O ANJO QUE ME TEM SALVADO


Flávio Anselmo (2018)

O barco naufragou a uns três quilômetros da desconhecida ilha

Ela não constava no mapa do Capitão,

Nem no roteiro dos navegantes emergentes.

Antes que a embarcação afundasse, Flávio pulou nágua.

Corajosamente, diga-se de passagem, pois nadava mal.

Batendo os braços para manter-se à tona, Flavio esbarrou

numa mesa de Ipê, usada na sala de jantar especial da

tripulação e dos convidados. Agarrou-se a ela.

Saiu da água e estendeu sobre a prancha de madeira de lei,

Com o braço direito remava e ia em direção à pequena ilha.

Chegou cansado e sem  força para sair da água e levar a prancha que o salvou para a praia de areias brancas, de pequenas dimensões.

Salvou-se de morrer afogado, porém algo lhe dizia no íntimo

que não escaparia da solidão, da fome e do frio da pequena Ilha.

Ao ficar em pé, olhando a azul baía, de águas límpidas e ondas diminutas, que ocupava a entrada para ilha, via no quadro a cidadela de paredões íngremes que cercavam a baía.

-Será que ha vida por aqui? - perguntou-se enquanto examinava os detalhes da ilhota. Aí ouviu o grito! -"-Ei, moço. Você está bem? Machucou-se?"

Na ponta da prainha o vento balançava o cabelo vasto e preto de uma mulher de meia idade. Seu vestido transparente permitia que Flávio visse o biquíni  colorido que ela usava por baixo.Que bom, amigo, você veio quebrar minha solidão de anos aqui na Ilha do Amor. Seja bem vindo".


Então ela se pôs a examiná-lo em detalhes. Girou seus cansados braços em busca de algum ferimento ou de fratura. Mexeu-lhe no pescoço, girando-o. Por fim perguntou: "Está com sede, ou com fome?".

Resposta dele:"-Muita sede e muita fome, não bebo e não como há vários dias."

-"Então vamos lá em casa, atrás daquele morro e eu lhe darei água gelada de fonte e comida de caça, acompanha de água de coco, banana e outras frutas silvestres." Prometeu e cumpriu.

Flávio bebeu muita água de fonte; água de coco e alimentou-se de frutas, legumes e carne de javali, que a moça mesmo caçou. Aceitou as roupas secas que  ela lhe ofereceu e preocupou-se então a saber o nome de seu Anjo da Guarda.

"Eu me chamo Ana Maria Silva. Sou filha do Brasil e estou aqui perdida desde o ano 2000, quando o navio em que fazíamos o cruzeiro pelo Caribe bateu num enorme recife e afundou. Apenas eu me salvei por ocupar o barco a remo, colocado na proa."

Ela contou, também, que desde então nenhum navio ou barcaça aventurou-se por aquelas bandas.  Ana sempre ocupava estratégico ponto no alto dos paredões e vigiava a entrada da baía. Foi assim que ela acompanhou a chegada de Flávio e correu para ajudá-lo.

Agradecido, Flávio confessou: "Eu me considerava morto antes de encontrar a porta que me serviu de prancha. Em determinados momentos, lembrava-me da infecção hospital que tive na época da cirurgia cardíaca e dos 135 dias que passei, sendo outros 45 em coma,  no Hospital, após a cirurgia na cabeça para estancar as hemorragias que me inchavam o cérebro."

 Ele costuma contar que na UTI viu-se sair de seu corpo e subir ao Paraíso, onde se encontrou com seus País, já falecidos, e os irmãos que haviam falecidos nos últimos anos. Quando correu para abraça-los sua mãe Geralda avisou: "

Ele acenou, e fez menção de aproximar-se. A moça correu em sua direção e o abraçou.-"Alto lá, meu filho, você não morreu. Deus não o chamou, ainda. Volte ao seu corpo no hospital." E foi o que se viu fazer.

Por isso, acredita que não morrerá em breve, Deus não quer. Salvou-se mais uma vez aos escapar do naufrágio.

Tinha, também, certeza absoluta que se salvaria, também, dos percalços da ilhota, graças a Ana Maria que lhe dava água de fonte, água de coco, diversos legumes e frutas e carne de caças.  Definiu a situação desta forma: "O Anjo que me levou ao Paraíso, agora cuida de mim aqui na Terra. Jamais irei para a Eternidade. Deus que me desculpe" - (FIM)



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