sexta-feira, 20 de abril de 2018

FRENTE DE SALVAÇÃO DO HOSPITAL DE CARATINGA

 

VISÃO DO APOCALIPSE

Da janela de nossa casa, depois transformada num pensionato para jovens estudantes das cidades vizinhas. eu acompanhava aquela curiosa figurinha de mulher, vestida com afinco, como o tempo e o serviço exigiam:  blusa de mangas compridas, imitação de seda estampada, fechada até à altura do pescoço fino e macilento com broche simples amarelo, que nos lembrava  joia de família.

Sua saia escura descia até os tornozelos, cobriam as meias cinzas e quase a metade das sandálias, sem saltos, de couros acinzentados, gastos pelo tempo de uso. Seu andar era ligeiro, de passos curtos.

 As mãos não estavam vazias: na direita, o guarda- sol  com motivos da cidade, pintados por algum artista local, sem  luxo. Na esquerda, a bolsa cheia, estufada pelos blocos de recibo que usaria na sua caminhada demorada e diária e os formulários já usados, mas que se esquecera de passar do departamento de contabilidade do hospital.

Vi que a senhorinha atravessou a rua empoeirada, desviando-se dos carros que subiam e desciam em marcha lenta o movimentado logradouro, dos principais de Caratinga. Foi  ela em direção à porta central da casa,aonde lhe aguardava minha Mãe, Geralda Anselmo, vestida com seu fardamento diário de dona de movimentada hospedaria de mensalista.

Naquela hora, mais ou menos 10h30m da manhã, Mamãe já cuidava do almoço dos hóspedes que não demorariam a chegar. Parou a fim de atender, por pouco minutos,  a visita mensal da simpática Maria Felícia, anjo enviado por Deus. Era assim  que se mantinha atuante o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, estabelecimento de saúde ímpar que atendia Caratinga, seus distritos e as cidades vizinhas, com as doações conseguidas pela Santinha, como vários cidadãos a chamavam. Não havia valor estipulado e cada família doava o que podia e mais gêneros alimentícios não perecíveis. 

Com apoio de excelente classe médica, o Hospital era exemplo a seguir em todo leste mineiro, e na qual destacava-se o alegre, comunicativo e prestativo Dr. Grimaldo de Barros. As suas hábeis mãos traziam ao mundo, diariamente, crianças ricas, pobres, remediadas que na maioria das vezes seus pais não tinham dinheiro para tais gastos. Mas, no Hospital ou com   Dr. Grimaldo não havia gasto algum.    

Assim conheci o Hospital Nossa Senhora Auxiliadora, por dentro e por fora, graças à disposição de meus pais, Geralda e Sodico, em ajudá-lo sempre, jamais permitindo que sua atividade sofresse  qualquer tipo de solução de continuidade. A família toda participava do mutirão: meus tios, minhas tias, meus irmãos Zito, Neném e Dodora, ao lado do seu esposo Raymundo. Fábio e eu, adolescentes sempre despertos e acesos, corríamos por fora, ajudando como podíamos. 

Caratinga em peso tinha orgulho de seu hospital, naquele prédio bonito, localizado no  mais alto ponto da avenida Calógeras,- ou no Barro Branco, como diziam - com a arquitetura  que varava os séculos e chamava atenção por seu desenho das antigas construções palacianas da época do Reinado.

Eu me lembro que em outras cidades que visitava, mesmo já na fase adulta, ao conhecer outros hospitais, minha primeira preocupação era fazer comparações: "O hospital da minha terra é mais rico, mais bonito e vem da época da mais longínqua história do Brasil. Príncipes, princesas,  duques e condes passaram por ele." Eu., adulto,  imaginava o  que sobrou nas minhas recordações de menino da dona Geralda costurado por sua farta imaginação pueril.

Há alguns meses eu ouvi este grito ecoando pela Pedreira do Silva, a Pedra Itaúna, e repercutindo como furacão pela cidade e nas cidades vizinhas:

_"Mas acordai de seus sonhos de criança! - a voz frenética gritou no meu coração entorpecido pelas últimas informações.

"O Hospital Nossa Senhora Auxiliadora será fechado para tranquilidade dos deputados federais, estaduais, Prefeito, Vereadores e até um senador que já tivemos, pois não terão que pedir verbas para manutenção do hospital.

-"Apenas para as despesas pessoais, como aluguéis, combustíveis para os carros, para a compra de ternos e de uísque das festas pessoais."

 

A cada mudança de tempo e de falsos líderes, a cidade afundava mais na lama do esquecimento. Seus maravilhosos cinemas, os maiores e melhores do interior de Minas - o Cine Teatro Operário, o cineminha do Geraldo Guzela, o Cine Vitória do Bairro Santa Zita, o lendário Cine Brasil e o majestoso Cine Itaúna, com seus 2.500 lugares, o maior de Minas - soçobraram sob as tempestades da hipocrisia, do desalento e deixaram órfã a cultura da cidade.

 

 O nosso Jardim Grande, antes cartão postal da Santa Terrinha, e até o coreto de  Neymaier, hoje estão à míngua, abandonados, antro de viciados em drogas, cracolândia da Cidade das Palmeiras, território ocupado pelas mocinhas avançadas a correr atrás dos velhinhos aposentados pra roubar-lhes o pouco dinheiro que o desgovernado Governo de Michel Temer, lhes entrega, ou aquele que o  omisso Governador Fernando Pimentel nega a estabelecer  como seus direitos inalienáveis de receber aumentos e pagamentos em dia para os ativos e inativos do Estado que fizeram a besteira em votar nele, maciçamente e serem por ele enganados.

 

O menino de Dona Geralda e Sodico cresceu num ambiente feliz e voava feito as andorinhas que o encantavam  na Missa da Oito, na Catedral, durante sua infância. Tinha plena fé no que via, antes e depois das missas, e acreditava piamente no que dizia a canção: "Foi Deus que deu luz ao Sol, perfumou as águas e pôs o Azul nas ondas do Mar. Foi Deus que deu luto às andorinhas e, que fez poeta o Rouxinol e me pôs no peito um rosário de penas que vou desfiando e choro a cantar. Que fez o espaço sem fim. Deu luto às andorinhas e deu essa voz a mim".

 

Então, porque vou permitir que os malditos descumpram as ordens divinas e destruam tudo? Não vamos impedir que maltratem o  Hospital Nossa Senhora Auxiliadora , única fonte de vida e de saúde da classe menos privilegiada e ou que encerrem  as atividades protetoras da saúde pública da região. Vamos às ruas, manifestar  contra tais brutalidades políticas desses malditos, nos quais votamos e que saqueiam os órgãos públicos e se alimentam e festejam com nossos dinheiros de impostos altíssimos.

Nós os colocamos lá em cima, vamos tirá-los agora. Exigir que se faça aqui Uma Lava Jato de salvação do Hospital, da melhoria da cidade e que surja a mão poderosa do Senhor pra puxar Caratinga pra fora do buraco negro que os políticos a enfiaram.

 

Por isso, mando alerta aos amigos, conterrâneos e irmãos, com os quais convivi por tantos anos nas ruas sujas e empoeiradas de Caratinga, até que o Doutor Maninho, nosso melhor Prefeito, fosse eleito e construísse pontes dignas, calçasse as ruas, abrisse outras e desse novo perfil ao município, o mesmo cheio de idealismo e pujança da qual já tiraram parte dela e agora querem destruí-la totalmente.

 

 Arregaçai as mangas Ziraldo, Zélio, Aguinaldo Timóteo, Miriam Leitão, Ruy Castro, Fausto, Gastão e Fábio Paceli vamos deter estes caras destruidores, maus caratinguenses. Vamos denunciá-los nas correntes sociais  e gritar palavras de ordem contra os deputados - federais e estaduais, Mauro Lopes e Adalclever Lopes, presidente da Assembleia, majoritários no nosso município contra o  abandono que  lhe afligiram. Nosso grupo não precisa deles, podemos levantar Caratinga sozinhos e destruí-los aqui. Não são merecedores dignos de nossos votos.

SALVEMOS O HOSPITAL NOSSA SENHORA AUXILIADORA  definitivamente  OU ENFIEMOS NOSSAS CABEÇAS NA AREIA E VAMOS NOS ESCONDER...- Flávio Anselmo


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