quinta-feira, 26 de abril de 2018

PRECISO ACABAR COM ESTA SAUDADE



QUE SAUDADE DA MINHA SABIÁ
(Flávio Anselmo : 26/4/18)

Oi, Sabiá das Figueiras do Rio Doce
Existe fato interessante nesta relação
que  matamos carnalmente,
pela falta de devoção.
E que pode ser, em espírito, reencarnada.
Poder, pode, mas seria bem aventurada?

Não sinto saudade sua ao deitar-me,
 pois a NetFlix é boa companheira.
Nem me sento sob a soleira
do quarto, solitário e triste
à espera do almoço que você preparou
especialmente para mim e para você

 Como saudade, também, não existe
Na espera do  lanche à tarde.
Pois  sem qualquer alarde,
só quero mesmo vê-la passar
naquela blusa branca, em decote
Para contigo nela sonhar
com a cama estreita, sob ripas fracotes
que rincham aos nossos fricotes
de amor bem vivido, sem desabar.


Do almoço sinto falta, pois é o seu forte
Que tempero, que sabor, que santa mesa!
 Sua comida vem no ponto certo,
Ponto perfeito que inebria o consorte.
Se estava, ainda, meio sonolento - desperto!

Você é mais que perfeita no assunto,
Porém não me pegou apenas pela boca
Tem a bela alma,que faz em desassunto
o que os maus buscam chamar louca

Há  um certo momento no dia
no qual você chega e me enche de alegria
Por isso dele tenho saudade imensa.
Começa quando por volta das 18h
ao entrar no banheiro pro banho diário.
Sinto que você entra comigo, intensa.
Como sempre foi aí:

Vê eu tirar bermuda, camisa polo e fazer xixi.
Não tira os olhos de mim, vigia pra eu não cair
Entra no boxe para ligar o chuveiro
 temperar a água pra quente, como gosto
com o tira e põe da mão direita.
 O sentimento é tão real que quase choro.

Já no Box, deixo a porta de correr aberta,
pressinto fora, a tomar conta de mim.
No local do xampu e do sabonete,
é que você pega e me entrega.
Não me deixa fazer movimento brusco,
 com receio que eu caia.
Aqui no meu sonho acordado,
seguro firme o corrimão e lhe estendo os pés;
Primeiro o direito. (Na realidade, agacho tremendo
e passo sabonete nos pés e entre os dedos;
não fique bem lavado, esqueço das plantas dos pés).


 Para lavar o cabelo, uso xampu receita da  doutora
que cuida de acabar com as brotoejas das costas feridas,
Não me lembro bem como era aí:
se você é quem  lavava e enxugava minha cabeça.
Agora, nesta minha realidade sou o titular da limpeza.
Ao  fechar olhos, você entra no sonho e me lava os cabelos.
Termina o banho, você está em pé fora do boxe,
Para  me passar a toalha e  me olhar enxugando.

Então me vem o remorso, do que eu devia ter feito.
Puxar você para dentro do Box.
 Debaixo do chuveiro tirar-lhe toda roupa,
e enquanto passo-lhe com vagar o sabonete,
 beijo-lhe as costas, a nuca, os seios
e quase morro de tesão, debaixo do chuveiro.

Por esse episódio, lembro-me que, ainda, a amo
que apesar de estar  bloqueado por você,
consigo falar e senti-la aqui comigo.
Vai ser assim, enquanto durar a minha vida.
Creio que seja vingança dos tempos de adolescentes
 quando você ficava p. comigo por não lhe dar atenção,
ao passar por mim, de short e com as belas pernas de fora.

Ou talvez esteja bloqueado-me por ordem do filho médico
que determinou que você me esqueça de vez.
Ou então porque apareceu alguém melhor, talvez,
para ocupar o meu sonhado lugar.
Lamentável Sabiá!. Estou saudoso, realmente. Beijos

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