sexta-feira, 11 de maio de 2018

QUANTAS HISTÓRIAS JOSÉ ROBERTO WRIGHT TEM PARA CONTAR

 

 É PRA VOCÊ, ATLETICANO, MATAR A SAUDADE:  ENTREVISTA COMPLETA COM JOSÉ ROBERTO WRIGHT, INESQUECÍVEL JUIZ DE GALO X MENGÃO NO SERRA DOURADA

 

Como me diverti ao ler a entrevista publicada pela UOL com o ex-árbitro José Roberto Wright, 73 anos. Não sei quem a fez, pois não trouxe assinatura de ninguém. As oportunidades que tive de comentar jogos com Wright no apito são inúmeras, notadamente aquele do Serra Dourada, entre Atlético x Flamengo, no qual ele teria beneficiado os cariocas, seus conterrâneos, com a expulsão de meio time do Galo.

 

Fiz a transmissão pela Rede Capital de Rádio, ao lado do saudoso narrador Vilibaldo Alves e dos repórteres Chico Maia e Afonso Alberto. Mas nunca uma final de Copa do Mundo, como tive a honra comentar  apenas jogos finais apitados por  Romualdo Arppi Filho e Arnaldo César Coelho.

 

CURRÍCULO AFAMADO

 

Uma Copa, duas finais de Libertadores, oito finais de Campeonato Brasileiro, eleito o melhor árbitro do mundo em 1990. Aos 73 anos, José Roberto Wright  tem currículo forte, e que coleciona histórias e polêmicas. Ele não foge de nenhuma delas.

Com a língua afiada, não tem receio em afirmar que os árbitros atuais são "covardes" e "omissos".

Garante  que Sandro Meira Ricci - escolhido para o Mundial da Rússia - "não está à altura de uma Copa" - (eu concordo com ele), e não poupa críticas a Leonardo Gaciba, atual comentarista de arbitragem da Rede Globo, junto com Arnaldo César Coelho.

 

TRINCHEIRA: Concordo com uma coisa: Gaciba é fichinha perto de Arnaldo. O primeiro comenta pelada e Arnaldo é do primeiro time com Galvão, Júnior e Casagrande.

 

Sim, é claro que Wright, também, não corre de falar sobre o jogo da Libertadores de 1981, entre Flamengo e Atlético, quando a estrela foi ele, conforme queria, ao expulsar cinco jogadores do Galo. Arrependimento pela atuação? Nenhum: "Fiz certíssimo!".

 

Deu cotovelada em argentino e tapa em bolivianos

 

Faixa preta de judô, alto e de bom porte físico na época em que apitava, Wright não tinha medo de cara feia e, se fosse preciso, encarava o conflito doa a quem doer. Sempre ressaltando que a Libertadores na sua época, era extremamente violenta, ele lembra de seus "embates" com jogadores argentinos.

 

"Acho jogador argentino folgado pra burro. Eles empurram o companheiro que está na frente em cima do árbitro. Quando o cara vinha eu já lhe pisava no pé e dava-lhe cotovelada no estômago. Aí seu nome começa a viajar no universo do futebol.

 

Nada, porém, supera o fatídico Jorge Wilstermann (BOL) x Olímpia (PAR), em Cochabamba (BOL), pela Libertadores nos anos 1970, quando, literalmente, saiu no braço com os bolivianos.

 

Time local entrou em campo e tratou de ganhar na base da porrada. Wright  conta: "expulsei cinco do time da casa e acabou o jogo. Mal  entrei no vestiário e  arrebentaram a porta. Pulei no meio do bolo dando porrada, levando porrada. Corri  para o campo.  Lá estava o, o coronel-chefe do policiamento com a orelha pendurada, por causa de uma garrafada.

-Falei: 'Pô, estou ferrado'.  Vi uma passagem por baixo da arquibancada;  corri pra  lá,  mas dois guardas me seguraram, me  levaram para o quartel. Não quero saber, sempre fui assim. Se você não for assim, será engolido. Os caras hoje têm medo, tudo frouxo,  achando que têm que se acomodar, não se aborrecer. Acho que o árbitro tem que se aborrecer". 

 

Estreia em Fla x Botafogo

 

Wright não tinha a pretensão de ser árbitro quando era jovem. Ex-goleiro do Fluminense, deixou a profissão ao ser eterno reserva de Edson Borracha. Por obra do acaso, pintou a pitoresca oportunidade de apitar uma partida profissional.

 

"Na época que fui goleiro fiz uma relação boa com o diretor Dílson Guedes. Em 1974 ele chegou pra mim e disse:

"Zé Roberto, vou te dar chance no futebol".

E eu: 'Legal, Gilson, o que o senhor manda?'

Ele falou: "você quer apitar Olaria e América em São Januário ou Botafogo e Flamengo no Maracanã?"

Eu: "Dílson, ou calça de veludo ou bumbum de fora. Claro que vou apitar Botafogo e Flamengo".

 

Apitei, fui muito bem no jogo e expulsei o Carbone (ex-meia do Botafogo), que pensou em deitar e rolar em cima da arbitragem . E a partir dali minha carreira foi embora", relembra.

 

Com microfone da Globo e apitando Flamengo x Vasco

 

Em 1982, José Roberto Wright entrou em uma enorme polêmica ao topar uma pauta do programa "Fantástico", da Rede Globo, que sugeria apitar a final da Taça Guanabara, entre Flamengo e Vasco, com microfone escondido em seu uniforme.

- Mas foi negócio muito bem feito porque não se editou. Minha preocupação era mostrar como é difícil o trabalho de árbitro e mostrei ali na base da bronca. Consegui me impor num jogo difícil. E a coisa aconteceu sob uma pressão muito grande porque os jogadores não sabiam.

 

O Roberto Dinamite, inclusive, disse o seguinte: deviam ter nos avisado'. E eu respondi: 'se tivesse avisado vocês (jogadores) iriam se tornar coadjuvantes do Oscar, iam querer aparecer'.

 

A ousadia, porém, custou caro para Wright: após denúncia do Vasco, ele levou suspensão de 40 dias, mas conseguiu derrubá-la num tribunal esportivo.

 

No julgamento da CBF, da Federação, políticos,  levou 40 dias de suspensão. Falou: "estou pouco ligando". E tem este detalhe: não cobrou nenhum centavo da TV Globo. Nada. Depois recorreu na CBF e ganhou por  7 a 0.

 

No campo era bravo. Em casa, o diálogo

 

Wright teve três casamentos, é avô de quatro netos e pai de cinco filhos: dois homens e três mulheres. Um deles chegou até o juvenil do Fluminense e, segundo ele, "jogava muito".  No entanto, acredita que herdeiro sofreu boicote  ser seu filho.

"O treinador tirou ele e o filho do Abel, o Fábio (Braga), para mostrar que tinha autoridade. Quem viu o Pedro jogar  afirma que ele era bom de bola. Jogava no meio, inteligente", elogia.

 

O ex-árbitro afirmou ter educado seus filhos na base do diálogo:

"Sempre fui carinhoso, amoroso, nunca dei palmada em filho meu. Aliás, para não ser mentiroso, a Rafaela, minha filha, morava num apartamento de fundo com varanda virada para perambeirão e ela falou que ia pular.

No que falou 'vou pular', eu fui até ela e lhe dei umas palmadas. Até hoje ela fala disso.

 

"Mas depois nunca encostei a mão; acho que o diálogo é sempre melhor. Todos são amigos, a gente procura sempre estar junto, é muito positivo esse relacionamento".

Mas o treinador sai do sério com a "escrotidão da internet" quando foi confundido com um sósia, suspeito de ter furtado bacalhau no supermercado.

 

 RELACIONAMENTO GAYS

 

Aos 73 anos, Wright diz que tem a mente aberta no que se refere às relações homoafetivas. O ex-árbitro, no entanto, afirma que nunca presenciou um relacionamento entre gays no futebol.

"Fui supervisor do Fluminense durante bom período e nunca tive conhecimento de algum cara que chega e vai se insinuando, entendeu? Nunca vi nada diferente. Existe? Deve existir, com certeza tem, mas não tenho realmente nada, nada contra. Às vezes você lamenta, por exemplo:

-"Eu estava em Búzios (RJ), fui tomar café na padaria lá perto; voltando para o Rio e estavam quatro moças, três delas muito bonitas. Mas eram companheiras e falei: -"que desperdício (risos). Eu acho isso tão natural, você não pode ter discriminação nesse sentido. Opção cada um tem a sua".

 

Paulada em Sérgio Cabral

 

Preocupado com a política, Wright é a favor da intervenção das forças federais no Rio de Janeiro. Não poupa críticas ao ex-governador Sérgio Cabral e ao ex-presidente da Alerj e deputado estadual Jorge Picciani (MDB-RJ).

 

"Acho espetacular a intervenção. E que tudo aquilo que generais e delegados disserem,  façam. O que você não pode é estar na mão de vagabundos que dominam o Estado, os políticos. Ainda bem que estão presos o Cabral, o Picciani. Cambada de ordinários, pessoas escrotas. Esvaziaram a saúde do Rio, esvaziaram as escolas do Rio e a Petrobras. O Rio perdeu royalties num nível absurdo por causa do dinheiro que eles roubaram", afirmou.

 

ARMANDO MARQUES ME TIROU DA FINAL DA COPA DE 90

 

Wright tem essa frustração: não ter apitado uma final de Copa do Mundo. Este sonho não realizado ele coloca na conta do falecido Armando Marques, ex-árbitro que comandou a Comissão Nacional de Arbitragem da CBF de 1997 a 2005.

Segundo Wright, o ex-dirigente fez até  lobby pra ter o veto do ex-presidente da FIFA, João Havelange.

"Eu iria apitar a final da Copa de 1990, mas  Armando Marques usou  argumento contra mim junto ao Havelange dizendo o seguinte: 'A Alemanha perdeu duas Copas do Mundo com árbitro brasileiro, o Arnaldo César Coelho e o Romualdo Arppi Filho. Se perder a terceira com o Wright fará a Terceira Guerra Mundial'. E então fui retirado.

O Armando realmente era homossexual. Não era declarado, mas assumido. Nunca vi o Armando... Aliás, há umas histórias, mas prefiro ficar calado. Que Deus o tenha? 

 

O homem que fez Gascoyne chorar

 

José Roberto Wright apitou a semifinal da Copa de 1990 entre Alemanha e Inglaterra; Ficou marcado por dar cartão amarelo que tirou o astro inglês Paul Gascoigne de uma possível final.

O ex-meia, desesperado com a situação, caiu em prantos. O jogo, porém, foi para os pênaltis e os alemães venceram.

"Sou Cult na Inglaterra (risos). Um jornal enorme de lá fez uma matéria: "o homem que fez Gascoigne chorar"'. Gascoigne era grande nome, intempestivo,  jogava muito também, mas tinha temperamento difícil. Ele fez uma falta dura por trás num jogador alemão, e pôs a mão na cabeça desesperado, quando lhe mostrei o amarelo."

 

Lamentavelmente nos pênaltis o zagueiro inglês bateu o dele lá na arquibancada;  tirou da final, pois se a Inglaterra vence eu apitaria a final,  com certeza", ressalva o ex-apitador.

 

Não tenho nenhuma mágoa com a Globo

 

Há dois anos José Roberto Wright deixou o quadro de comentaristas de arbitragem da TV Globo. O ex-árbitro, porém, disse que não guarda mágoas da emissora.

Pelo contrário,  faz  elogios são rasgados aos 17 anos trabalhados na emissora:

"Não renovaram o contrato. Direito que eles têm. Acreditavam no Gaciba. Política da empresa, eu respeito.

Então não tenho queixa alguma. Uma bela empresa. Se todas as emissoras no Brasil fossem como ela, seria bem diferente a relação funcionário e empresa".

 

-"No Esporte Interativo aconteceu que não compensava financeiramente. Então não vale a pena. Mas o Esporte interativo tem  pessoal muito legal. O André Henning é fantástico, belo locutor, nesse aspecto o Interativo está bem? 

Gaciba não está à altura da Globo

Apesar da boa relação com a Globo, Wright não segura as críticas ao falar de Leonardo Gaciba, ex- árbitro e hoje  um dos comentaristas de arbitragem na emissora.

"Negócio do Gaciba é o seguinte: trabalhou nos bastidores para conseguir o que queria, sem medir esforços se prejudicava alguém . Ele tem grave defeito de interpretar mal.  Na minha opinião, Gaciba é  teórico e não é  profissional à altura da TV Globo, não".

 

Criei a "regra é clara! Arnaldo me tomou

 

Arnaldo é  figura danada, cara muito legal;  faz a função muito bem, enxerga o jogo, faz abordagem e, com isso, criou a  personagem junto com o Galvão, outra figura super interessante. O Galvão provoca e ele, na brincadeira, foi levando. E se impôs pela qualidade. Hoje, sem dúvida nenhuma, é o grande nome da análise de arbitragem" 


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