sexta-feira, 4 de maio de 2018

SE VOCÊ PENSA QUE NÓS FOMOS EMBORA, NÓS ENGANAMOS VOCÊ. FINGIMOS QUE FOMOS E VOLTAMOS, OIÁ NÓS AÍ OUTRA VEZ!


Vovôs e vovós usam redes sociais como passatempo

Flávio Anselmo

Centenas de pessoas que me encontram por aí levam o papo para o saudosismo. Focam os bons e inesquecíveis tempos da Rádio Guarani. Notadamente, de sua equipe de esportes, líder em audiência na Capital e no interior. Não havia esse negócio de rede de rádios via satélite.

A Guarani brigava nas ondas curtas com a Inconfidência. Briga boa. Porém, nossa equipe, ganhava no interior. Na Capital, a gente dava eco no Mineirão.
Jota Júnior, ou Vilibaldo, ou Lucélio Gomes, César Rizzo, Valdir Rodrigues, soltavam a todo pulmão o conhecido bordão, "a Guarani comanda o futebol".  Em seguida, a central técnica "rodava" – a expressão correta era essa -  a vinheta da rádio.

As pessoas gostam de saber que fim levou fulano, ou cicrano, se está vivo, ou já passou para o andar de cima.  Essas coisas! Impressionante como se lembram de cada detalhe das nossas coberturas internacionais, das transmissões esportivas, ou dos programas diários.

A dupla de repórteres Walter Luiz e Paulo Celso não sai da memória dos saudosistas. Os dois estão aí, bons que nem coco, mas optaram por cuidar melhor de suas vidas pessoais.  Aposentados, fazem da internet boas companheiras. Eles continuam tão bem informados quanto nos tempos da ativa.

A Rádio Guarani e o Estado de Minas tinham o privilégio de contar com a competência deles.  Paulo Celso, segundo eu soube, prefere mais a informação; faz do computador seu companheiro diário e navega pela internet à vontade. Walter Luiz mantém-se mais ligado às redes sociais. Recebo sempre as suas interessantes mensagens.

Com seus burros à sombra, tiram da internet o que melhor ela pode oferecer. Ao contrário deste filho da dona Geralda que por dever de ofício, apesar das aposentadorias do Ipsemg e do INSS, tem de martelar cotidianamente aqui  atrás de cacau que faça o mês financeiro render até o dia 30.
É de Walter Luiz a mensagem que recebi reproduzindo a reportagem de Hellem Malta, do Hoje em Dia, sobre a convivência dos idosos com as redes sociais.  Obrigado ao Walter Luiz pela lembrança e à Hellen Malta pela reportagem.

Leiam e se divirtam:
-"Foi-se o tempo em que crochê, jogo de cartas, de dama e bordados eram as diversões prediletas dos idosos e que usar computador era algo impensável. Hoje, as pessoas com mais de 60 anos encontram motivos para aderir à mania das redes sociais nas páginas do Orkut e Facebook, na internet. 
O principal objetivo é manter contato com amigos e familiares, além, é claro, de conhecer novos amigos.

Há cinco anos, a professora de Educação Física aposentada Hebe Flávia Lobato, de 63 anos, usa o Orkut e, mais recentemente, o Facebook, para conversar com amigos, filhos, netos e parentes que vivem no exterior.
"Há 20 anos que faço uso da internet. Assim que inventaram os sites de relacionamento, criei, sozinha, o meu perfil. 
Acho as redes sociais interessantes porque com elas a gente passa a ter vida social mais em dia. Agora,  não esqueço mais a data do aniversário das pessoas", diz.

Em casa, Hebe tem computador e notebook e os utiliza todos os dias. A exceção é quando viaja para descansar. Ela conta que deixou de assistir jornal na televisão para acompanhar as notícias pela web.
 "Sou viúva há 28 anos e moro sozinha. Faço natação, aula de dança e tenho  vida muito ativa, mas a internet completa minha rotina. Encontro com meus filhos e netos somente aos domingos.  Por isso, durante a semana mantemos contato pelas redes sociais e por telefone".

Nas reuniões familiares, Hebe se transforma na fotógrafa oficial da família Lobato.
 - "Eu tiro as fotos, posto nas redes sociais e envio as imagens para meus filhos e netos. Precisamos acompanhar a modernidade", finaliza a aposentada, que tem 50 amigos no Facebook.

 Já para a professora aposentada Maria José Rodrigues Vieira, de 61 anos, as redes sociais trouxeram de volta o contato com familiares e amigos que se distanciaram depois que ela saiu de sua cidade natal, Paulo Afonso, na Bahia, para viver em Belo Horizonte.
"Moro aqui há dez anos e nesse tempo perdi o contato com muitas pessoas da minha cidade. 
O Orkut e o Facebook  foram a forma de reencontrar as amigos e fazer com eles continuem sendo parte do meu cotidiano. As redes sociais criaram  espaço que eu imaginava que não teria mais", afirma.

Maria José é divorciada, mãe de quatro filhos e avó de três netos. Para ela, que tem 193 amigos no Orkut e 80 no Facebook, a internet e as redes sociais diminuem a saudade e a solidão.
- "No início, quando pedi meu filho para criar um Orkut para mim, ele tomou um susto e me disse que isso era coisa de gente jovem. Mas hoje, todos encaram com naturalidade meu interesse pelas redes sociais. Meu neto de 10 anos diz que eu sou fera no computador", brinca.

Na opinião da professora, as pessoas precisam acompanhar as novas tecnologias.
"Não devemos ter medo, nem vergonha de usar um computador. Hoje a internet faz parte da minha vida. Adoro fotografar e filmar. Tenho o hobby de editar vídeos e postar no Youtube, além de usar o Photoshop para recuperar fotografias antigas", conta.

Usar as redes sociais na terceira idade é  comportamento extremamente saudável, que traz benefícios e possibilita a reinserção do idoso. 
Quem atesta é a psicóloga e professora do Centro Universitário Newton Paiva Sylvia Flores.
"O idoso que adota o uso do Orkut ou do Facebook mantém e, às vezes, até melhora sua qualidade de vida. 
Porque, pelas redes sociais, ele tem chance de reconstruir a própria história de maneira prazerosa, afetuosa, resgatando amizades que, por uma série de motivos, se perderam no tempo", diz.

Segundo a psicóloga, os idosos de hoje são diferentes da geração da terceira idade de 30, 40 anos atrás, pois passaram parte da sua vida adulta inseridos no mundo tecnológico. 
-"Os 'novos idosos' já trabalharam com computadores nas empresas em que eram funcionários, utilizaram caixas eletrônicos nos bancos. Isso ofereceu a eles uma base para entender a linguagem das mídias e das redes sociais.
 Por isso, é muito comum vermos idosos usando computadores, Orkut, Facebook e Twitter", explica.

Na avaliação de Sylvia Flores, o Facebook ou o Orkut do idoso pode ser muito mais real do que o do adolescente. Isso porque a  pessoa da terceira idade geralmente adiciona como amigo nas redes sociais quem ela realmente conhece. 
- "Uma pessoa de 70 anos já passou por várias instituições como colégio, faculdade e inúmeros empregos.Por isso, ela vai usar essas ferramentas de maneira mais positiva, real e com mais propriedade  que o adolescente de 14 anos, que sai adicionando todo mundo nos sites de relacionamento", exemplifica.

Além disso, usar as redes sociais é  forma de os idosos se sentirem vivos e terem a sensação de pertencer a algum grupo social. 
Outro benefício das redes sociais para a terceira idade, apontado pela psicóloga, é a possibilidade de o idoso poder conversar e expressar sua opinião com pessoas de outras idades, sem correr o risco de sofrer algum tipo de preconceito. 

-"Na internet não existe idade, cor, sexo ou religião. E hoje, para ser bom blogueiro ou "facebookeiro"  é preciso ter tempo, o que os idosos têm disponível", ressalta.





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