sexta-feira, 1 de junho de 2018

A VIDA APÓS A MORTE

PASSAGEM PELA VIDA TERRENA
 (22-9-15)

Não me esqueço de tua passagem
da vida terrena para o andar de cima,
foi nos meus pusilânimes braços..
Hoje, assustado, cama molhada de suor,
aflito acordei do sono de manhã,
e estavas nele.
Tu me sorrias ao pé da cama,
depois deitou-se ao meu lado.
Tudo tão real, teus olhos verdes faiscavam.
Dizia - "bom dia, Querido"
Beijou-me de boca suja,
com cheiro de bebida e cigarro.
Senti todo calor vindo do Paraíso.
Lábios vivos carregados de desejo.
Curtias ao meu lado, lençóis amassados
Longe da campa solitária onde te sepultamos
 - no cemitério do Paraíso eterno.
Mas acordou, também, meu desidério.
Brusco me levantei e fui à janela,
Uai! Não era manhã de sol,
mas madrugada, céu estrelado.
Madrugada de seresteiro, noite das 3 Marias,
Manhã bonita, sol nasce e flutua a lua
O coração bateu  forte, saudade tua.
Despertei antes do sol nascer
Amei acordar, ver a madrugadinha,
recordar como adorávamos amar nesta hora.
Pulei o alpendre e para a avenida iluminada.
No passeio público de nossas caminhadas
caí em passo largo, abri caminho na alameda
Postes de lado a lado e jardim florido no meio.

Assustei ao olhar à frente, tu corrias lento
A tal áurea divina, ainda, cobria-te o corpo,
Rias à solta, girando os braços
Risos à larga, como se tivesse,
ganhado presente dos céus.
Passei por Ti, mas não foste embora.
Corri pela avenida iluminada ao teu lado,
busquei tua mão
Peguei-te esquerda, do coração.
Mãos dadas, dedos entrelaçados.
Sentia como se num abraço apertado
tuas mãos irradiavam amor.
Nunca pensei que sentiria de novo tal calor.
Poderia te pedir um beijo,
suprir meu desejo?
Podíamos? Corpo e alma? Matéria e placenta?
É sonho esta corrida?
Por que antes tantas interrogações?
Minha vida atual é isso?
Pergunto, questiono, nada  é banal. Tudo fatal.
Preciso de ares novos pra viver.
Corra, vamos correr, Anjo,
na frente, eu te alcanço, agarro e te amo."

Fechei os olhos sentado no meio-fio da avenida.
No bolso, goiabinhas vermelhas de Rio Casca.
Sonho? Pode ser.
Porém senti as tuas mãos presas às minhas.
Chorávamos abraçados
no meio da avenida iluminada.
Mas como amar -te?
Reencarnarias em quem como quer Deus?
Recebi mensagem nos ouvidos:
" A Alma tem, no corpo,
sede  determinada e circunscrita.
Deus a mandou de volta,
como corpo e espírito misturados".
Portanto, eu beijava lábios reais da mulher amada,
Verdade; espírito material enviado por Deus.
-"Meu filho mate a sua saudade, caminhe firme
por esta avenida iluminada, no meio da alameda de flores,
 palmeiras e pássaros canoros.
"Vão de mãos dadas, dedos entrelaçados
com seu amor e alma.
Que importa o corpo morto?"
Voei pela avenida afora.... (22-9-15)



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