quarta-feira, 29 de agosto de 2018

Eclipse é um jogo sexual


O DIA EM QUE A LUA COBRIU O SOL E  ENSINOU ÀS MULHERES COMO AMAR?
(Conto por Flávio Anselmo - agosto/18)
Atendi convite da Amazon.com.br da qual sou usuário por meio do meu Kindle, leitura virtual, escrevi o conto "O Dia em que a Lua cobriu o Sol e ensinou as Mulheres a Amar", que será enviado esta semana para Nova York. Outros contos meus já foram enviados e formarão o livro exclusivo da Amazon. Vocês que têm table ou kindle podem adquiri-lo por preços razoáveis.
Antes preciso explicar por que optei por "O dia em que a Lua ensinou as mulheres a amar".
Coisas da ficção, visto que ninguém consegue ensinar às mulheres o saudável jogo do amor puro e verdadeiro. Muito menos a Lua que vive à noite e como iria ensinar de dia? Obra de Deus.
Quando criou o mundo, Ele, também, criou a Lua e o Sol. Um reinaria à noite, brilharia ao lado das estrelas, seria cantada em versos e prosa pelos poetas,  seresteiros e enamorados. Só não esperava que eles, também, se enamorassem.
Aí complicou, pois Deus contava com a dicotomia do tempo: o Rei Sol faria o dia claro e bonito e a Rainha Lua iluminaria as noites, daria vida à escuridão forçada pelo recolhimento pra descanso do Sol.Enamorados, Lua e Sol bolaram encontros secretos, porém nem tão secretos quanto queriam. Chamavam seus encontros secretos de eclipses.
Para os  terráqueos as eclipses não eram nada secretas. Pelo contrário, aconteciam em horas marcadas e anunciadas. Na hora do clímax das eclipses quando um invade o horário do outro e o cobre totalmente, a população da Terra corre para as ruas, sobe nos morros, nas árvores dos seus quintais, e acompanha aquela consagração ao Amor Livre até o final.
O maior protagonista dos encontros é o Sol, que nunca descarta o avanço da Lua. Deixa-se dominar facilmente e no instante da cobertura, seus raios que iluminam a Terra, ficam escondidos.Então, uma imensa escuridão projeta-se sobre a Terra fazendo o dia tornar-se noite. Os habitantes do planeta terra rebelaram-se reclamaram com Deus, que proibiu tais encontros amorosos. Não haveria mais em eclipse da Lua à noite, nem eclipse do Sol de dia. Mas a ordem não foi cumprida.
Com o passar do tempo, a Lua notou que o Sol aproximava mais da Terra, decidido a namorá-la. Morta de ciúmes,  a Lua resolveu invadir  o horário do Sol para vingar-se da Terra com uma Eclipse duradoura. Cochichou no ouvido do Sol que topou a parada. Certo dia ensolarado, com os humanos nas praias e nas jornadas de prazer, a Lua comentou:
"É hoje".
Atravessou as poucas nuvens e foi em direção ao Sol. Sem delongas, cobriu-o. Era Lua cheia, muito cheia e o Sol se encolheu para cobertura de  amor.
A Terra escureceu-se e espalhou o manto negro para todos os cantos. Os casais que aproveitavam o dia claro de raios solares, gostaram mais da noite escura, do friozinho aconchegante e rolaram pelo tapete, sofá, cama, enfim, tudo que permitia a capotagem do  casal apaixonado. Resolveu copiar a Lua.
O mundo todo amou e aumentou razoavelmente a população infantil. 

QUANDO O AMOR FLORESCE

CONTO(2018 - Caratinga)

 

INESQUECÍVEL CARIOQUINHA DO MÉIER

 

Pelos meados de 1957, nas férias escolares de julho, eu estava  em Caratinga, após seis meses de internato no Ginásio de Viçosa. Na casa dos meus pais, sob o olhar conservador de Dona Geralda, minha mãe, eu contava os dias pra Festa do Vermelhense Ausente, no pequeno Vermelho Novo, distrito de Raul Soares, atualmente município  emancipado e com estrada asfaltada até o centro do lugarejo.  A festa congregava várias famílias, entre elas a minha, Pontes de Assis. Um mês de dança, banda de música, retretas dominicais, fogos, jogos e o povo irmanado nas ruas poeirentas . Garotas de todas as partes, acompanhadas dos pais, também filhos da terra.E a quantidade não decepcionava, pois a maioria era meninas inteligentes e bonitas.

E Caratinga, no Hotel da minha família, chegaram uns dias antes o Dr. Geraldo Costa Chaves, com esposa Jurema e filha Terezinha,  gatinha carioca nascida no Méier , de apenas 12 anos, dois menos que eu, nascido em 18 de outubro de 1943. De cara, com  jeitinho simpático e a ajuda da prima Leide Isabel e seus irmãos Helanio, Mariuza e Cheyla comecei namorá-la . Fomos até ao da Baile no Clube Municipal de Caratinga. Seus pais também foram conquistados por mim. Nossa casa, recebeu vários parentes do Clã Pontes de Assis  e parentes afins como era o caso do Dr. Geraldo, sobrinho de João Guimarães, casado com  Tia Mundica, irmã de minha Mãe.

Depois de alguns dias em Caratinga, esvaziamos a casa dos Anselmo e partimos pra Vermelho Novo, onde estavam reservadas várias casas para nos alojar. Fiquei junto com o pessoal do Tio João e Tia Mundica, a convite do primo Helânio . Lá estava, também, a bela carioquinha do Meyer. Nosso namoro já se transformara em paixão. Certa noite, uma turma batia papo na varanda extensa da casa, sob liderança da Leide Isabel . Na brincadeira dos mais corajosos da roda, surgiu o desafio do beijo na boca. Fui desafiado, bem como Terezinha, que estava deitada num colchonete, enrolada com Cheyla.

Eu me agachei ao seu lado, enquanto Leide provocava os dois."Beijem, quero ver se têm coragem. Vamos lá.".  Não resisti e Terezinha muito menos. Aproximamo-nos mais e de lábios cerrados, beijamo-nos, da forma que hoje chamam de "selinho". Mas o suficiente. Não foi como o  beijão artístico, de final de filme hollydiano: língua com língua. Beijo dado, Terezinha deu um grito de susto e se enfiou debaixo das cobertas. E eu parti em alta velocidade, rua afora , à procura das confusões festivas no centro da vila. Foi sensacional, inesquecível e eu me apaixonei pela carioquinha e  por muitos anos.

A história não terminou aí. Dez dias depois, Terezinha, com sua família, pegaram o ônibus da Citran de volta ao Rio de Janeiro. Na velha rodoviária de Caratinga, o garoto de 14 anos chorava ao ouvir: "Adeus, meu amor, é hora de partir, levando esta saudade, eu vim me despedir..." música cantada pelos parentes que, também, ficariam. Alguns dias após, Flávio partiria para o colégio interno, segundo semestre, com Terezinha no coração. A saudade era tão grande que ele colocava as iniciais da garota no final de todas os deveres escolares: TCC - Terezinha Costa Chaves.O tempo, no entanto, solução dos problemas amorosos, apagou a paixão por causa de outras que vieram.

Em 1966, morando em Belo Horizonte, jornalista em atividade em vários veículos de comunicação, Flávio encontrou-se com o Prefeito de sua cidade, Tim Chagas, que o convidou a viajar ao Rio, na Rural da Prefeitura, onde ficariam alguns dias, enquanto a filha do prefeito fazia um tratamento médico. Lá no Rio, Flávio despediu-se e foi pra Niterói  se encontrar com seus Tios João e Mundica, além dos primos. Mal chegou e Leide ligou para Terezinha comunicando que o ex-namorado estava na praça. No dia seguinte, Terezinha pegou uma barca da Cantareira e se mandou pra Niterói. O reencontro foi festivo e espetacular, afastando toda saudade existente.

Os dois dias de Flávio duraram l5 e por pouco não foi o resto da vida. Mas teve que voltar, convocado urgente em BH. Voltou com o coração na mão de novo assombrado pelos acontecimentos de Caratinga.  E a  cortina do teatro da vida desceu de novo, encerrando em  definitivo esta história ao vivo de tanto amor. Que, entretanto permanece acesaaté hoje nas almas ardentes dos dois. (fim)

 b

ESTE É O MEU HINO: 'HISTÓRIA DE UN AMOR'

COMO NASCE 0 ROMANCE DE AMOR

 

Lá estava eu no meu tradicional local de inspiração e criação, comendo minhas goiabinhas vermelhas, e ouvia o romântico Júlio Iglésias em "História de un amor", uma das mais belas páginas do cancioneiro internacional para quem, como eu, adora boleros, tangos e música brasileira do passado.

 

Prestei mais atenção na letra do que fizera em outras oportunidades, até mesmo quando assisti ao filme homônimo, interpretado pela bela Libertad Lamarque. Música e letra do escritor panamenho Carlos Eleta Almaran que a compôs após acompanhar o sofrimento de seu irmão mais novo com a morte da esposa.

 

Então comecei a ruminar a ideia de escrever pela primeira vez um romance de amor. A minha história pessoal durou anos: de julho de 1976 a 19 de fevereiro de 2018 com Maria do Céu que conheci adolescente, ela aos 14 e eu aos 16 anos, em frente o Cine Brasil, em Caratinga.

Todavia tenho certeza de que tive espírito e vida suficientes pra escrever sobre uma história de amor, por se tratar de tema que sempre iluminou meu interior. A letra de "História de un Amor" está abaixo, no original. Fiz deste bolero, que ouvíamos sempre, ou no carro, nas viagens pelo interior de Minas, ou em casa, na sua pequena eletrola de discos de vinil, o hino de saudade, após sua morte, nos meus braços, vítima de violento AVC.

 A versão, também bonita, foi interpretada aqui no Brasil pelo imortal Altemar Dutra e mais de duas centenas de cantores, pelo mundo afora, tiveram suas versões e seu sucesso com este lindo bolero.

 

HISTÓRIA DE UN AMOR

(autor: Carlos Eleta Almaran - panamenho)

 

Ya no estás más a mi lado, corazón
En el alma sólo tengo soledad
Y si ya no puedo verte
¿Porqué Dios me hizo quererte?
¿Para hacerme sufrir más?

Siempre fuiste la razón de mi existir
Adorarte para mí fue religión
Y en tus besos yo encontraba
El calor que me brindaba
El amor y la pasión

Es la historia de un amor
Como no hay otro igual
Que me hizo comprender
Todo el bien, todo el mal
Que le dio luz a mi vida
Apagándola después
¡Ay que vida tan oscura!
Sin tu amor no viviré..

terça-feira, 28 de agosto de 2018

TÕ COM MEDO DESTA DECISÃO CONTRA MENGÃO

 SE UMA DECISÃO ME ASSUSTA É ESTA DO CRUZEIRO NESTA QUARTA CONTRA O FLAMENGO NA LIBERTADORES

E olha que o time de Mano Menezes tem todas as vantagens a seu favor: é o segundo jogo do mata-mata das oitavas de final;  joga pelo empate e pode até perder: se por 1 a 0, avança e por 2 a 0 a decisão vai para os penais; só não pode perder o foco da partida, como fez contra o Santos, pela Copa do Brasil, apesar da decisão ser no Mineirão.

Cruzeiro e Flamengo se enfrentam pela primeira vez na Taça Libertadores das Américas. No primeiro jogo das oitavas de final, no Maracanã, os azuis venceram por 2 a 0, gols de Arrascaeta e Thiago Neves.

Na história deles, as equipes já se enfrentaram 49 vezes em Minas Gerais, com 23 vitórias do time mineiro, mais 15 empates e 11 vitórias dos cariocas. o Cruzeiro marcou 76 gols e levou 49. Os jogos foram disputados em BH (42), em Uberlândia (2) Ipatinga (2), Sete Lagoas (1), Varginha (1) e Uberaba (1).

BELO HORIZONTE:  Foram 42 confrontos. A Raposa venceu 20, empatou 13 e perdeu 9, com 68 gols marcados e 44 sofridos. No Mineirão, Cruzeiro e Flamengo se enfrentaram 33 vezes, com 15 triunfos cinco estrelas, 11 empates e 7 vitórias do Flamengo. Os azuis fizeram 44 gols e levaram 27.

PRINCIPAIS ARTILHEIROS DO CRUZEIRO CONTRA O FLAMENGO

4 gols: Tostão; 3 gols: Dirceu Lopes, Fábio Júnior, Fred, Marcelo Ramos e Zé Carlos; 2 gols: Borges, Cris, De Arrascaeta, Elmo, Everton Ribeiro, Guilherme (2007 e 2008), Heyder, Ismael, Natal, Niginho, Ninão, Palhinha (1996), Ramires, Ricardo Goulart busca virada inédita como visitante,Roberto Batata, Roni e Thiago Ribeiro.

Entre Brasileiro, Copa do Brasil, Libertadores, Supercopa, Mercosul e Sul-Americana, Rubro-Negro saiu atrás como mandante oito vezes e nunca tirou desvantagem fora. No cenário do confronto, apenas dois times conseguiram o feito na competição e cariocas foram vítimas.

 

Explica-se: por mais que tenha três Copas do Brasil, uma Mercosul, uma Libertadores e cinco de seus seis Brasileiros conquistados em formato mata-mata, o Flamengo nunca conseguiu reverter um confronto em que tenha sido derrotado em seus domínios no primeiro jogo. No 2 a 0 para o Cruzeiro, no Maracanã, foi a nona vez que isso aconteceu. Em todas, a vantagem fez a diferença no final.

DONO DOS MATA-MATAS

 

Titular absoluto na equipe de Mano Menezes, o meia tem aproveitamento de 87,5% em duelos eliminatórios com a camisa celeste. Contratado no início do ano passado, Thiago Neves já disputou 16 fases de mata-mata, com 14 classificações e duas eliminações.

 

Os resultados negativos foram em 2017, quando a Raposa perdeu a final do Mineiro para o Atlético e foi eliminada pelo  Nacional, do Paraguai, na primeira fase da Sul-Americana.

 

Experiência a serviço

 

Ao todo, Thiago disputou 28 jogos eliminatórios pelo Cruzeiro, com 14 vitórias, oito empates e seis derrotas. Em competições com esse tipo de confronto, ele ergueu os troféus da Copa do Brasil do ano passado e do Mineiro deste ano vestindo a camisa celeste. O meia diz que não faz uma preparação específica para esse tipo de partida, mas que gosta de passar a experiência para os companheiros.

 

    

quinta-feira, 23 de agosto de 2018

CASINHA PEQUENINA QUE O NOSSO AMOR CONSTRUIU

 

 

A CASA DOS NOSSOS SONHOS

É FEITA DE ILUSÕES

(Flávio Anselmo - maio/2018)

 

Tu não te lembras,

ó Menina,

aquela casinha pequenina,

que nosso amor construiu,

quanto mais ele crescia,

em nossos sonhos de dia.

 

Ela tem janelas baixinhas,

pintadas de azul celeste,

da cor da blusa que vestes

enquanto pintas  e decoras,

o interior da casinha 

Pequena por fora,

grande por dentro,

Quem na rua passa pode ver

casa adentro,

pelas janelas , o que é o poder

do amor aliado ao destino.

A vida nos pôs juntos,

e juntos sonhamos esta casa.

Sonho realizado em conjunto:

destino, amor e nós dois.

Nossa casinha tem mangueiras

do lado, hortaliça na frente,

e a cerca baixa de madeira

que a separa do mundo lá fora.

O cachorrinho pulguento chora

ao ver-se tão sozinho,

deita ao lado da cadeira de vime,

Pode latir, rosnar, não é crime

Mas espera  caladinho

a chegada de seus donos.

A casinha  tem varanda

igualmente pequena, mas cabe

uma  serena noite de luar

 e violão, antes que desabe

em pranto doído da saudade

que habita nossos corações,

A casinha sem paredes internas

é feita de ilusões e emoções.

Dois quartos, duas salas,

uma para as refeições

e a outra de estar com visitas.

Um quarto é nosso, de despejo,

onde desabafamos mágoas, ânsias

e um contido desejo.

0 outro dos filhos esperados

em falsos resguardos .

Nas mangueiras de lado a lado

há lugar pra rede que  colocada

permitirá o descanso à sombra

e a leitura de bom livro adiada.

 

SEM TRISTEZA NÃO EXISTE AMOR

NA MESA DO BAR, DEPRESSÃO. NO CORAÇÃO A TRISTEZA DE AMAR
(Flávio Anselmo - agosto/2018)

Sem confusão, ou mistura
depressão é doença,
tristeza é adjetivo.
Não há como afirmar
"Você é um deprimido",
pois nenhum termômetro acusa
ou exame de sangue que comprove.
Já a Tristeza é sentimento
"Sem tristeza não existe Amor",
Como adjetivo: "Você é um triste".
A Tristeza gera amor, ou não há amor
sem que a Tristeza esteja no meio.
Depressão não é parte do Amor, mas o destrói.
A Tristeza faz parte do Amor, e o reconstrói.
Errado! "Eu sou a depressão".
Certo: "Bom dia, Tristeza"
que bom, você veio hoje me ver
Já estava até meio estranho,
eu, alegria, ficar deprimido,
porque longe de você.
Se entra tristeza, se sente comigo
aqui nesta mesa de bar,
Cochice, meu amigo,
novas dicas de como Amar.
para esta dor passar.

terça-feira, 21 de agosto de 2018

DEPRIMIDO OU TRISTE: SÃO SITUAÇÕES DIFERENTES

NA MESA DO BAR, DEPRESSÃO.
NO CORAÇÃO TRISTEZA QUE FAZ AMAR
 ( Flávio Anselmo - agosto, 2018)

Sem confusão ou mistura.
Depressão é doença,
tristeza é adjetivo.
Não há como dizer
"você é um deprimido",
pois não há termômetro que acuse
ou exame de sangue que comprove.
Já a tristeza é sentimento e qualidade
"Sem tristeza não existe amor"
Como adjetivo: " você é um triste."
A tristeza gera amor, ou não há amor
sem tristeza. Depressão não é parte
do amor, mas o destrói."
A tristeza vive no Amor, e o reconstrói.
Errado: "Eu sou a depressão!"
Certo: "Bom dia, Tristeza".
que bom, você veio hoje me ver.
Já estava até meio estranho.
Eu, Alegria, ficar deprimido,
porque longe de você.
Se entra tristeza, se sente comigo.
Aqui nesta mesa de bar.
Cochice, amigo, para passar,
de novo a dica de como Amar. 

domingo, 19 de agosto de 2018

TU, SEMPRE, A MAIS BELA DOS ANJOS



VENHO AQUI TE PROPOR
AMOR ETERNO, SUELY!
(Flávio Anselmo - agosto/2018)

Por fim, apareceste, adorável Suely!
A nuvem escura que te escondia
dissolveu-se em chuva forte,
uma orquestra de sabiás e pintassilgos
entoou a canção, tua e minha, meu Bem
pra agasalhar teu enorme coração, também.

O ambiente abriu-se à paz reinante.
Tu, sempre, a mais bela dos anjos, Suely,
Desceste pela encosta deslizante
do alto pico atrás do qual saiu a nuvem.
Deslizavas com olhar difuso à minha procura
Antes de chegar ao chão, vês a porta aberta
Ouves a voz de lá que sai e manda
"Vá Amada Suely, não estás mais escondida
-Vá que o amor eterno te espera soberano".
"Voe  aos braços dele e será correspondida".

Ouça a Rainha que comanda:
"Este amor não é mais profano!".

Será teu, só teu, assuma-o, Suely
Case com ele, sejam felizes
Assim cantou o Beija Flor fiel,
do bico pingava gotas de mel,
Enquanto lá no alto, perto do Céu
Suave como tu, a Alma age
Empurra a porta semiaberta
e entra para esta vida alerta

Que te proponho tê-la a dois,
depois que, depois, depois
que nada, é agora, já agora.
Vida que o Amor revigora
Para termos muitos anos
resistentes, combatentes, amantes
Mas acima de tudo, contentes.
(FIM)

sábado, 18 de agosto de 2018

TALVEZ MINHAS CINZAS QUISESSEM BOIAR NO RIO CARATINGA

NÃO ME QUISERAM  AS CINZAS
( Flávio Anselmo - agosto/2018)

O que meus filhos sentiram
no período em que eu estava
no Coma induzido?
Os médicos informavam: o estado
do paciente é crítico: tinha 11 coágulos
e a hemorragia inchava o cérebro.
Seria preciso abrir de novo a cabeça.
Os meus filhos sofreram,
como eu sofreria
se contrário fosse: eu São e eles Doentes.
Eles me amam tanto quanto eu os amo.
Desconfiar  sequer, agora,
que seus sentimentos mudaram
após a minha quase recuperação,
quando abati as sequelas,
é sentimento ridículo.

Da mesma forma que respiro paz
e amor à minha recuperação;
eles, também, sentem-se aliviados.
Pedem paz aos seus espíritos.
Viveram o turbilhão de dor
ao me verem em pé ao lado do fim.
Hoje, alegres, gritam agradecimentos
por  minha recuperação;
por me verem salvo.
Saio do hospital e voei nas asas
da crença. Descubro no sofrimento,
a força da oração de terceiros
e o amor que salva os guerreiros.

Amor dos filhos, da Esposa, dos irmãos.
É o melhor remédio que existe:- Cura mesmo.
Além do quê, guia as mãos, a paciência,
os conhecimentos dos médicos, a ciência;
Esta equipe, apoiada no Amor de Deus,
de Cristo e da Mãe da Igreja, cuidou de mim
Não me deixou virar Cinzas
a serem espalhadas no Grande Jardim,
Jardim das Palmeiras Imperiais, em Caratinga.
Ou talvez, eu iria boiar de novo nas águas
barrentas do Rio Caratinga, lá na represinha.
Todavia, será que as cinzas avisariam
aos contumazes banhistas do local?
"Fechem a boca, amigos, que torpedos
descem o rio, vindos de Santa Rita,
 grossos e mal cheirosos. Isso irrita."
Então, sem as cinzas, sobraria Saudade.


SÃO PARIDEIRAS DO ÓCIO DEGRADANTE

A MANIPULADORA
(Flávio Anselmo - agosto/2018)

Deixei de olhar as ondas do mar
quebrando valentemente nos bancos
de areias brancas e porosas,
vistas das imundas mesas da vida,
dos botecos fedidos do beira-mar.

De onde insaciáveis e tacanhas
bisonhas, tristonhas e medonhas,
mulheres frágeis da Localiza,
fingem de motoristas ou acompanhantes
 nesses motéis ambulantes
mas são parideiras do ócio degradante.
Espalham cacos de luzes do sol abrasador,
onde reina a Manipuladora no desamor.

Ajuda a ceifar sem piedade ou amor,
jovens vidas que as aventuras do Rio
 atraem, como fizeram com ela,
em busca frágeis sereias
das ilhas do interior ou das areias.

Bem como queima as belas coxas
e costas ansiosas das caçadoras
de homens confiantes de Goval e Parati.
Voltei ao quiosque, onde sentada estava,
ó Manipuladora, na pedra oleosa,
debaixo do coqueiro nanico,
Você curtia o vento a favor
suavizando-lhe o rosto protegido
pela loção excessiva contra os raios
que imolavam sua pele avermelhada
ainda assim disposta a enfrentá-los
sem temor, enterrá-los em seu ódio
como sempre faz ao enganado
amigo, noivo, marido ou namorado.
Afinal, segue o objetivo de vida,
ser apenas Manipuladora desvalida.

quarta-feira, 15 de agosto de 2018

POETAS, SERESTEIROS CORREI: CHEGOU SUA NOITE DE VIVER

A NOITE DO MEU VIVER
(Flavio Anselmo - 2018)

Fez-se noite em meu viver.
Subitamente! Bastou eu entender
que ali no chão estendida, você morria.
Passei o braço por seu pescoço,
agasalhei-a junto ao meu corpo,
chamei-a pelo nome, esfreguei-lhe
os pulsos e me assustei, não houve reação.
Estavam sem pulsação
e batimentos no coração.
As pernas debatiam rígidas, esticadas,
Eram os estertores da morte
Atentei que você estava indo embora
subindo ao Céu, fora da hora.
Pensei em levá-la ao sofá, mas recordei
a recomendação dos paramédicos:
deixe o paciente no lugar em que caiu.
Veio-me  a ideia dos primeiros socorros;
Mas como?
Seus lábios trincaram-se e deixavam
escorrer no canto direito da boca,
uma gosma amarelada.
Tive ímpeto de limpar e beijar
iniciar a respiração boca-a-boca,
seguida da massagem cardíaca.
Quis ouvir seu coração: não batia;
segurei-lhe os pulsos, nada de pulsação

Não sabia ser herói assim,
chamei os bombeiros voluntários do prédio,
que chegaram apressados e tudo tentaram.
Sem sucesso: seus olhos verdes fecharam-se
o corpo aquietou-se, a respiração sumiu.

Vi a imagem de São Judas Tadeu,
na mesinha do canto da sala. Aos pés de quem
você rezava todo dia 28 e agradecia-lhe
sua atenção com a nossa vida.
Não demonstrei qualquer devoção
Roguei pragas ao Céu, ao Santo, se temor,
afinal o amor fora morto sem compaixão.
Você deu impressão que não subiria feito Anjo.
Voou rápido como uma bela Águia.
Voou para bem longe, pelo mundo sem fim.
Seu corpo estava ali, no chão, inerte.
Seu espírito invisível  saiu atrás do desejo
de ir para o mundo melhor,
Numa lembrança cheia de doçura ou de amargor,
 conforme o uso que  fez da vida.
Com certeza achou este lugar.
Quedamos silentes todos os presentes.
Uns no canto isolado,
lavando a Alma com o pranto da perda.
Eu imaginava: "como trazê-la de volta"
Para perto de mim?

Fosse em Alma ou Espírito reencarnado.
Nem sabia, ainda, se a saudade fica.
Ou se vai embora, também.

Por isso, evoco-te, ó Espírito do Bem
Venha, encoste a cabeça no meu ombro,
vamos clamar as nossas mágoas,
enquanto retomamos a caminhada, abraçados,
rumo ao Paraíso infinito, sob o sol banhando
a estrada por onde haveremos de passar.
Saudados por frases escritas pelos raios do Sol,
sancionadas por Deus:
"Ide em paz Filhos Meus",
"Que da sua noite, venha o dia."
Obrigado Senhor, então posso
fazer a Ela, uma pergunta direta?
-"Claro, meu Filho, então pergunte:"
-"Perdi  você,
-após a sua morte?
-Sim ou não?
-Não, não me perdeu,
-Subi aos céus em Alma,
-porém meu Espírito
-está solto na Terra,
-aguardando evocações"