quarta-feira, 15 de agosto de 2018

POETAS, SERESTEIROS CORREI: CHEGOU SUA NOITE DE VIVER

A NOITE DO MEU VIVER
(Flavio Anselmo - 2018)

Fez-se noite em meu viver.
Subitamente! Bastou eu entender
que ali no chão estendida, você morria.
Passei o braço por seu pescoço,
agasalhei-a junto ao meu corpo,
chamei-a pelo nome, esfreguei-lhe
os pulsos e me assustei, não houve reação.
Estavam sem pulsação
e batimentos no coração.
As pernas debatiam rígidas, esticadas,
Eram os estertores da morte
Atentei que você estava indo embora
subindo ao Céu, fora da hora.
Pensei em levá-la ao sofá, mas recordei
a recomendação dos paramédicos:
deixe o paciente no lugar em que caiu.
Veio-me  a ideia dos primeiros socorros;
Mas como?
Seus lábios trincaram-se e deixavam
escorrer no canto direito da boca,
uma gosma amarelada.
Tive ímpeto de limpar e beijar
iniciar a respiração boca-a-boca,
seguida da massagem cardíaca.
Quis ouvir seu coração: não batia;
segurei-lhe os pulsos, nada de pulsação

Não sabia ser herói assim,
chamei os bombeiros voluntários do prédio,
que chegaram apressados e tudo tentaram.
Sem sucesso: seus olhos verdes fecharam-se
o corpo aquietou-se, a respiração sumiu.

Vi a imagem de São Judas Tadeu,
na mesinha do canto da sala. Aos pés de quem
você rezava todo dia 28 e agradecia-lhe
sua atenção com a nossa vida.
Não demonstrei qualquer devoção
Roguei pragas ao Céu, ao Santo, se temor,
afinal o amor fora morto sem compaixão.
Você deu impressão que não subiria feito Anjo.
Voou rápido como uma bela Águia.
Voou para bem longe, pelo mundo sem fim.
Seu corpo estava ali, no chão, inerte.
Seu espírito invisível  saiu atrás do desejo
de ir para o mundo melhor,
Numa lembrança cheia de doçura ou de amargor,
 conforme o uso que  fez da vida.
Com certeza achou este lugar.
Quedamos silentes todos os presentes.
Uns no canto isolado,
lavando a Alma com o pranto da perda.
Eu imaginava: "como trazê-la de volta"
Para perto de mim?

Fosse em Alma ou Espírito reencarnado.
Nem sabia, ainda, se a saudade fica.
Ou se vai embora, também.

Por isso, evoco-te, ó Espírito do Bem
Venha, encoste a cabeça no meu ombro,
vamos clamar as nossas mágoas,
enquanto retomamos a caminhada, abraçados,
rumo ao Paraíso infinito, sob o sol banhando
a estrada por onde haveremos de passar.
Saudados por frases escritas pelos raios do Sol,
sancionadas por Deus:
"Ide em paz Filhos Meus",
"Que da sua noite, venha o dia."
Obrigado Senhor, então posso
fazer a Ela, uma pergunta direta?
-"Claro, meu Filho, então pergunte:"
-"Perdi  você,
-após a sua morte?
-Sim ou não?
-Não, não me perdeu,
-Subi aos céus em Alma,
-porém meu Espírito
-está solto na Terra,
-aguardando evocações"





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