sábado, 18 de agosto de 2018

SÃO PARIDEIRAS DO ÓCIO DEGRADANTE

A MANIPULADORA
(Flávio Anselmo - agosto/2018)

Deixei de olhar as ondas do mar
quebrando valentemente nos bancos
de areias brancas e porosas,
vistas das imundas mesas da vida,
dos botecos fedidos do beira-mar.

De onde insaciáveis e tacanhas
bisonhas, tristonhas e medonhas,
mulheres frágeis da Localiza,
fingem de motoristas ou acompanhantes
 nesses motéis ambulantes
mas são parideiras do ócio degradante.
Espalham cacos de luzes do sol abrasador,
onde reina a Manipuladora no desamor.

Ajuda a ceifar sem piedade ou amor,
jovens vidas que as aventuras do Rio
 atraem, como fizeram com ela,
em busca frágeis sereias
das ilhas do interior ou das areias.

Bem como queima as belas coxas
e costas ansiosas das caçadoras
de homens confiantes de Goval e Parati.
Voltei ao quiosque, onde sentada estava,
ó Manipuladora, na pedra oleosa,
debaixo do coqueiro nanico,
Você curtia o vento a favor
suavizando-lhe o rosto protegido
pela loção excessiva contra os raios
que imolavam sua pele avermelhada
ainda assim disposta a enfrentá-los
sem temor, enterrá-los em seu ódio
como sempre faz ao enganado
amigo, noivo, marido ou namorado.
Afinal, segue o objetivo de vida,
ser apenas Manipuladora desvalida.

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