quinta-feira, 20 de setembro de 2018

AGOSTO PASSOU E DEIXOU RASTRO DE FURACÃO

MÊS DO DESGOSTO ( texto em 28/07/06)

 

0h, minha Maria, quem diria!

Agosto veio em junho e

respaldou-se em julho,

com os estragos de sempre.

Agosto, mês do desgosto,

e a gente nem chegou lá

e os desgostos se acumulam,

em junho, em julho,

feito entulho que suja a alma,

que doe no peito

que deixa a gente desfeito,

caído, prostrado e desiludido.

É o susto do tombo da menina amada,

É o médico fajuto que nem a olha,

só atrás de seu custo.

Nem amizade, nem saudade,

nada o comove ou demove.

É o câncer que fecha o cerco,

cada vez mais próximo,

amigos e parentes mortos

pela pertinaz doença.

Mesmo cheio de crença,

fujo das epidemias de trombose,

infarto, extra-sístole ( o que é isso, Santa Maria?).

Cateterismo,  angioplastia, stent coronário

( não constam em nenhum dicionário) 

tornam-se verbetes do dia-a-dia.

e fazem da estação do gostoso frio,

das noites aconchegantes ao pé da lareira

do bate-papo sem fastio,

em derredor da fogueira,

uma prévia assustadora do que será agosto,

mês do desgosto.

Façam figas, ocupem as esquinas,

com orixás e babalaôs.

Joguem búzios e flores à Iemanjá.

Chamem São Jorge, santo guerreiro,

Peçam proteção à Virgem, a São Judas.

A todos os Santos, façam ladainha.

Mas, principalmente, pulem agosto na Mariana folhinha. 

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