domingo, 2 de setembro de 2018

SAGA DO APOSENTADO SOB JUGO DO BRADESCO - PARTE II


Exmo. Sr. Dr. Juiz de Direito do        Tribunal de Pequenas Causas de Belo Horizonte,

  

FLAVIO GERALDO ANSELMO, brasileiro, casado, jornalista/advogado, aposentado, OAB-MG 21.698, residente e domiciliado à Rua Abre Campo, 484, apto 201, Bairro Santo Antônio, CEP 30.350-190, nesta Capital, vem expor e requerer a Vossa Excelência o que seguinte:

 

I – NA segunda quinzena de abril, ao deixar o Hospital Vila da Serra, onde o REQUERENTE submeteu-se à uma cirurgia cardíaca, para colocação de duas pontes de safena e alquebrado por uma infecção hospitalar que quase o vitimou fatalmente, necessitou de empréstimo de emergência para cobrir os gastos e pagar parcelas de seu pedido de aposentadoria no INSS, cujo processo encontrava-se há 18 meses em tramitação e exigia tais quitações.

 

II – O REQUERENTE recorreu à Agência do Bradesco da Avenida Prudente de Morais, como titular de uma conta corrente física. Lá a sua gerente de atendimento, Rosângela,  colocou-o em contato com a agência da Savassi, à avenida Contorno, 5892, local de funcionamento do ex-Finasa/ BMC, atualmente Bradesco Promotora, empresa especializada em empréstimos consignados.

 

III – Esta gerente da agência Prudente de Morais fez contato com uma promotora da Bradesco , que veio à residência do REQUERENTE, em razão da sua incapacidade Foi explicitado à Sra. FLAVIA ALVES, referida promotora do Bradesco, que o interesse do REQUERENTE seria de conseguir o empréstimo urgente e tão logo recebesse do INSS os valores atrasados quitaria a dívida.

 

IV. A Sra. FLAVIA ALVES garantiu que não haveria problema na antecipação apesar de o empréstimo ser feito no absurdo tempo de 84 (oitenta e quatro) meses. Este período foi definido após o REQUERENTE receber a informação da consultora do Banco que os juros desta forma sairiam mais baixos que os praticados no mercado; que o dinheiro sairia em menos de quatro dias úteis e que em igual tempo, após solicitado, o boleto de quitação ele seria enviado.

 

V – Preenchidos todos os documentos necessários, com reconhecimento de firma por conta do REQUERENTE, tramitação cuidada pela própria promotora, o empréstimo, realmente, caiu na conta individual do REQUERENTE: R$ 13.711,78 na conta corrente do Banco do Brasil.

 

VI – Quando o REQUERENTE fez a solicitação de quitação já não teve atendimento nas agências do Bradesco: foi enviado a um escritório – verdadeira bitaca – camuflado no centro da cidade. Lá foi atendido por duas moças despreparadas e que exigiram as mesmas documentações preenchidas por ocasião do empréstimo.

 

O REQUERENTE, no seu direito de saber qual o motivo de tal exigência, e ao contestar nova assinatura de pedido, com firma reconhecida e mais despesas de cartórios, foi tratado com impaciência pela atendente, apesar de cliente do banco, e, por fim, agredido verbalmente, além de lhe baterem no rosto a porta do escritório adjunto, ocupado talvez pela dona do comércio.

 

VIII – Antes que a discussão tomasse tal rumo, veio a justificativa de tamanha burocracia:  entendiam que  outra pessoa poderia ir no seu lugar pegar o boleto. Ao que o REQUERENTE respondeu: "Ainda assim não haveria prejuízo para o Banco; afinal o que alguém faria com um boleto de pagamento, sem quitá-lo?" Outra exigência tola: o boleto seria entregue, naquele endereço, apenas ao REQUERENTE pessoalmente. Nem o fato de o REQUERENTE estar em recuperação comoveu tais as pessoas.

 

IX – Para o preenchimento dos formulários de solicitação (cópias anexas) haveria necessidade de o REQUERENTE ligar para o 0800557222 – sem intermediário – a fim de colher os números do protocolo, do contrato e o valor do empréstimo, coisas que o próprio banco aqui detém. Ao perguntar para os credenciados porque eles mesmos não faziam a chamada e pegavam tais números o REQUERENTE foi informado pela atendente do escritório, que o Bradesco não lhes permitia agir desta forma e que, na realidade, o Banco não tinha muito interesse na quitação antecipada dos empréstimos.

 

X – O REQUERENTE gastou três dias só para falar com o referido 0800. Após vencer tal epopéia, teve outro dissabor. Um pequeno engano no preenchimento do formulário DE PEDIDO DO BOLETO, de importância contestada, inutilizou-o, segundo as mesmas pessoas do escritório. A má vontade então era evidente. Posteriormente, o REQUERENTE foi ao local acompanhado da Sra. FLAVIA ALVES, teoricamente representante naquele momento do Bradesco, e a moça titular do escritório, de porta fechada em sua sala, afirmou a esta que só iria atender o REQUERENTE em função da presença da promotora. Mas que aquele pedido não seria aceito porque estava rasurado.

 

XI – Começou-se nova epopéia: preenchimento de novo pedido e reconhecimento de firma. Mais despesas, sem falar com as pessoais – estacionamento, taxi, etc, - porque a entrega do documento só poderia ser feita pelo próprio REQUERENTE, no dia seguinte, visto que as moças fecharam o escritório às 16hs. O REQUERENTE, então,entregou o documento e lhe foi prometido o boleto de quitação  para o dia 24 de julho, três dias depois. Na terça-feira, o REQUERENTE recebeu telefonema à noite do tal escritório ( É Crédito, cuja promotora de vendas é Cecília Cordeiro,) – ou seja, o escritório então agora funcionou até mais tarde – avisando que o boleto, segundo recomendação do Bradesco, seria entregue em outro escritório; contudo não especificou qual ou forneceu o endereço.

 

XII – O REQUERENTE recorreu outra vez a Sra. FLAVIA ALVES que se disse indignada com o fato. Nem as ameaças de que o REQUERENTE iria procurar o PROCOM ou à Justiça de Pequenas Causas a amedrontou. Ficou de fazer novo contato com o seu Superintendente e, por várias vezes, cobrada pelo REQUERENTE garantiu que o telefonaria mais tarde dando-lhe o novo endereço.

 

XIII – NO ENTANTO, por recomendação de terceiros, o REQUERENTE recorreu ao BANCO CENTRAL que, por seu turno, fez contato com um dos gerentes do Bradesco responsável pela relação com a entidade federal e então as coisas passaram a evoluir. O extrato pedido sobre a cobrança exorbitante dos juros em dois meses, antes negada, foi enviada via email para o REQUERENTE. O mesmo aconteceu com o boleto tão esperado e pedido.

 

XIV –Tudo se resolveu depois do maior desgaste físico, moral e de saúde do REQUERENTE que teve gastos com taxi, estacionamento e problemas emocionais pelos quais de maneira alguma poderia ser vítima, diante do seu quadro de saúde.

 

XV – Finalmente, no dia 13/08/2010, o REQUERENTE pode quitar o boleto, no valor de R$ 17.152,64, sendo que o valor do empréstimo conseguido dia 25/5/210 era de R$ 13.711,78, conforme contrato 56.392.4411, em poder do Requerido. Em apenas três meses, os juros chegaram a mais de R$ 4 mil reais. O REQUERENTE ao recorrer à agência do Bradesco, onde mantinha sua conta, ouviu da Gerente Geral que lamentava muito, mas não podia fazer nada e que se fosse ela quem tivesse atendido o REQUERENTE não o teria orientado para aquele tipo de empréstimo.

 

XVI – O pior é que, apesar de pagar no dia 13/8/10 neste total do boleto apresentado, uma parcela de R$ 382,18 com vencimento datado para o dia 25/8/10, o REQUERENTE prosseguiu tendo descontos em seus contracheques de julho, pago em agosto, e de agosto pago em setembro. Na verdade, as diferenças foram repostas cinco dias depois, mas os descontos sem aviso e não previstos causaram danos ao REQUERENTE visto necessitar das importâncias inteiras nos dias previstos dos pagamentos de seu benefício pelo Estado. O Banco ágil na cobrança de juros um dia após qualquer vencimento, repõe o descontado indevidamente sem qualquer ganho.

 

Diante de tudo que foi exposto e provado, REQUER, finalmente, que face ao DESGASTE, aos fatores inoportunos que causaram problemas de ordem emocional e física ao REQUERENTE seja o BRADESCO, por meio de seu representante BRADESCO PROMOTORA, o único responsável, por todo este imbróglio e desrespeito à cidadania e ao direito do consumidor de quitar sua dívida no momento em que lhe aprouver, obrigado ao pagamento do valor de R$ 15.000,00 (Quinze mil reais), ao REQUERENTE como ressarcimento aos danos morais que lhe foram causados por todos os seus representantes, de maneira hostil, dissimulada e constante.

POR UMA QUESTÃO DE JUSTIÇA

Belo Horizonte, 08 de outubro de 2010

 

Flávio Geraldo Anselmo                                          

OAB-MG 21.698

 

 

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