sexta-feira, 7 de setembro de 2018

UMA ÁRVORE DE FRUTOS PODRES

SOU FRUTO DE MUITA TRISTEZA

 Oh!, Meu Deus, como são tristes os meus dias !

 Passam-me sentimento de ser vazio.

Sinto-me barril de pólvora, com pavio.

Se o pavio queima até o fim, o barril explode.

Viramos carvões. Ou nos chamuscamos todos.

 Não sou humano, perdi a crença,

virei carvão tornei-me criança.

A quem devo obediência?

Oh, Deus, porque esta leniência?

 Muita suavidade, pouca ousadia

Já não sei separar trigo do pão.

Oh Deus, porque estou assim;

Não creio em ninguém. Nem em mim

Uns dizem que virão, mentira.

Continuo só, sempre só.

Ninguém cumpre o que fala.

Isso cada vez mais me atrapalha.

E deixa-me todo dia - isolado

De corpo e alma. Minh'Alma estala.

Vai partir, o quê vou me tornar, após?

Poste de rua escura. ninguém namora sob mim?

 Não tenho alguém comigo.

Cada qual cuida de si e dos seus.

Sou pai, avô, tio-avô, e o que vale tudo isso?

 Me doei muito e virei foto na parede.

Ou banner em cima do computador.

 Vale o quê? Posso perguntar-lhe ou a minha nega?

Qualquer figura paternal que chega

tem maior presença do que eu, por quê?

Ocupa bons espaços com apoio dos ex-meus!

É preferível, realmente, que eu vá embora.

Seria Espírito Encarnado ou Corpo Enganado,

 sem chance de ser levado ao crematório,

Ou até mesmo à campa do velho cemitério,

por falta de quem me carregue.

Então que estranhos me levem, estou descrente.

Perdi a fé. Sou Guerreiro do nada. Deixei a patente.

Adeus vocês que juram sermos parentes.

(Flávio Anselmo maio/2018)

 

 

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