quinta-feira, 20 de setembro de 2018

VIREI PARA O CANTO E AGASALHEI OS MEUS AIS

 

IMITAÇÃO DE POETA

 

Sem rima e métrica, mas com emoção.

Sou este projeto de poeta,

que insiste em ver estrelas de dia,

e o sol à noite,  formas de emoção e paixão.

Um poeta que não canta, declama.

Que não encanta, derrama

e enxuga as mesmas lágrimas

choradas na falta de inspiração.

Fernando Pessoa exime de culpa o emergente poeta,

Enaltece os escrevinhadores noturnos,

Torna-os poetas noctívagos.

Santos espíritos que vagueiam pelas letras, soltos.

Que bom que seja assim,

Sinto-me redimido e liberado.

Posso vaguear na minha imaginação.

Navegar na minha isolada comoção.

Projeto de poeta, é assim que a noite me encontra;

meio sonolento, nem tanto acordado.

Exausto, talvez.

0 dia chato, eu desfiz.

Cansaço que entrava pelos ouvidos,

Amargava a boca e entupia o nariz.

Amparo-me na foto da mulher amada, e choro.

 

Choro dos solitários.

Como que, por encanto,a AMADA surge pra mim

No canto da tela do micro,

que nem havia ligado ainda,

mensagem virtual,  transportada

no silêncio da noite estrelada.

Ela sabia que eu a queria assim:

nua, cheirosa, quente e ansiosa.

Nem me lembra como virei pro canto.

Agasalhei os meus ais,

enquanto buscava o prazer dos amores temporais,

sem nem olhar mais a fotografia dela, sorridente,

nua, colorida, no canto da tela do computador.

Ela me bastaria de qualquer forma.

De pronto, aceita.

quando na busca do solitário êxtase,

que escorre feito branca lava incandescente

entre os dedos da trêmula mão direita..."

 

 

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