segunda-feira, 5 de novembro de 2018

0 AMOR GUARDADO NELE SAIRIA


SOFRÊNCIA
(Flávio Anselmo - outubro/2018)

O quê você gostaria que sobrevivesse?
Seria aquela réstia do pífio amor platônico
que embalava nossos sonhos frágeis
como castelo de fantasia falso,
de consequência banal, no qual
vivíamos pelas ruas empoeiradas de nossa cidade?
Ou seria a sofrência?
Esta tão própria da puberdade,
tão íntima da inocência.
Imagino que se o dogma do Destino aceitasse
como éramos naquela idade,
na pureza da Alma,
no batimento ritmado dos corações,
quando apenas a presença do outro bastava,
E calmo, resplandecente de mágicas luzes, tornava
todo ambiente que era as nossas vidas.

Tudo se tranquilizava para as almas envolvidas
Passear pelo Jardim de mãos dadas,
ouvir os sinos da Catedral antes da missa das 8h,
Ver o esvoaçar das andorinhas depois da missa,
assistir o Sol raiar e a Lua clarear a noite próxima,
Dividir com as estrelas a alegria das serenatas de violão;
Sentir o amor ingênuo da união nascente
que, às vezes, queria o cantinho escuro
para roubar o simples beijo (selinho).

Época de dançar com rostos colados,
declamando palavras de amor, ao ouvido dela.
Compromisso de vidas atadas,
Tudo frutificava em felicidade completa.
A gente com a alma repleta, ignorou guardar
a sete chaves tal sentimento,
para mantê-lo inocente, sempre.
O Destino bem que devia tornar na época
os corações enamorados em cofres de aço.
Cujos segredos para abri-los só Deus saberia.
Essa inocente sofrência duraria os 40 anos depois imaginados?

Só quando chegasse à fase adulta, por ordem do Céu, o cofre se abriria e o amor nele guardado sairia.
Sem maldade, sem ciúmes, ou preconceito, sem arrogância,
pleno de Amor adubado nas terras do coração.
Graças aos milhões de carinhos diários, de palavras macias, pele com pele. E pelo respeito que infla o peito.
Seria bom sentir-se adulto, sem perder a inocência.
Nem a sofrência.
Do Amor pueril, puro, resumidamente infantil.
Que exija silêncio e o canto escuro onde se pode roubar do outro toda sua querência, ou apaziguá-la.
"Eu te quiero, Eu te Amo, Mulher/Criança, como você me quis na infância." (FIM)



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