sexta-feira, 16 de novembro de 2018

MORREREI FELIZ BEM FELIZ

QUERO MORRER FELIZ
(Flávio Anselmo - novembro/2018)

Se eu morrer amanhã,
bem cedinho, de manhã
não deixo saudade, e nem
quero ser louvado, também.
Chamado de bom moço,
feito uva sem caroço.
Não digam que deixei
o mundo órfão de uma mente sã.
Deixei nada!
Ninguém chorará por mim.
Vou catar saudade se houver
nos cantos da vida espalhada,
e saberei que de ti não terei nada,
nem choro, nem vela, só ódio e melancolia.
Tu alertarás a ruindade de meus poemas,
 serviriam apenas pra alimentar o ódio crescente
de inveja pelo que faço imprudente
desde nossa mocidade:
plagiei samba, amei e fui amado
beijei a quem quis,
então sabes: se morrer amanhã
morrerei feliz, bem feliz
e te sobrará apenas a tristeza matriz,
rainha dela, convulsiva e eterna.

Dirás, enraivecida, que fui pífio poeta
de versos pobres, que servem de alerta
pois abrem caminho aos beijos fatais,
criam e matam amores caudais,
que atraídos pela harmonia dos versos
cantados sob balcões diversos,
ocupados por mulheres solitárias,
clareadas por estrelas e luminárias
que, ainda, plantea  
violões em serenata na lua cheia.
(FIM)





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