quarta-feira, 12 de dezembro de 2018

CARATINGA, MEU PASSADO, PRESENTE E FUTURO. TUDO QUE SOU!



SAUDADE DE MINHA ORIGEM

Tem certos dias em que penso em minha gente e o primeiro quadro que logo me vem à mente é meu saudoso pai, Sodico, sentado, confortavelmente, à porta de nossa ampla casa, na rua Raul Soares, 241.Ali ele reparava  a gente amiga e humilde subindo e descendo a rua nas tardes bonitas de Caratinga.

Nossa rua que antes chamava-se Rua das Flores, nesse meu tempo de recordação não tinha calçamento nenhum e era dividida no meio por postes de ferro fundidos, que, segundo a lenda, na época das revoluções políticas eram arrancados e transformados em canhões de um tiro só, visto que se arrebentavam após o disparo.

Sem uso bélico, o poste servia pra dividir a rua em mão e contramão nas subidas e descidas dos fordinhos 29, alguns carros de praça, outros particulares que infestavam a cidade. Na cadeira de palhinha na calçada, meu Pai, sereno e vigilante, de tal pose que tornou-se depois Juiz de Paz da cidade.

Ali tinha o aspecto importante de respeitado patriarca de família feliz, como realmente éramos e somos até hoje, apesar da ausência dele e de minha Mãe Geralda e de meus irmãos Zito e Neném, falecidos; de Dodora e Fábio, cada qual no seu canto.

 Sou o caçula desta turma maravilhosa. Tenho que destacar, também, tia Lucília, irmã de Mamãe e minha madrinha; ela foi importante na minha criação.

Tempos divinos e eu que não creio, peço hoje a Deus que proteja e receba esta gente, pois alguns já subiram, gente humilde, que vontade de chorar- Obrigado ao Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Morais, pela linda canção Gente Humilde à qual me recorro agora.

Em frente à nossa casa, relembro do boteco do Zé Francisco. Ele fritava um torresmo divino - pele e carne. Enchia os olhos do Sodico e lhe dava água na boca. Lambia os lábios de longe. A matriarca Geralda lhe negava o direito de saborear o torresmo divino  por causa da saúde já meio baleada. 

No entanto, quando eu o visitava, cruzava a rua, botava uma mesinha na porta do boteco, enchia-a de cervejas e pedia  pratinho de torresmo gordo ou magro. Fazia uma ponte aérea, corria do outro lado e matava a vontade de Papai.
Vejo-o à porta de casa, escondendo parte do torresmo enorme e carnudo, enquanto saboreava a outra parte, enfiando-lhe o único dente da boca e absorvia o resto aos chupões.

Na casa, Dona Geralda preparava pra ele, para mim e meu saudoso sobrinho Lincoln, bom companheiro e que enxugava a mesa cheia de cervejas.  De vez em quando, Dona Geralda  à porta da casa e da calçada mesmo e nos chamava, após repreender-nos: 
"Vocês não sabem uma ou três cervejas, querem cinco ou seis"

Mamãe não contou direito. Tomamos duas dúzias de geladas.
Saudade do Lincoln Anselmo Chaves, filho de minha irmã Dodora e do falecido Raymundo Vieira Chaves.

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