segunda-feira, 17 de dezembro de 2018

REENCONTREI-ME COM RAUL SEIXAS, MAS O CURTA SÓ EXPLOROU SEUS DESATINOS.

SOCIEDADE DOS JOVENS POETAS MORTOS

(Flávio Anselmo - dezembro/2018)

 

-"Eu nasci há 10 mil anos atrás,

e não tem nada neste mundo

que eu não saiba demais..."

 

Meu adorado Raul Seixas,

estou aqui, após evocá-lo, para fazer

pergunta que talvez agora,

mesmo fora da vida terrena, em paz

numa palingenesia,  possa responder,

já que sabes demais:

 

-"Porque poetas como você, Castro Alves,

Casemiro de Abreu, Noel Rosa, Drummond,

Vinicius, Fernando Pessoa, Cartola, Orestes,

vivem tão pouco com a gente?"

 

Penso que sobem mais cedo para o Céu?

Enquanto uma turma de poetas caolhos,

eu me incluo, destoa, sem métrica e inspiração.

 

-"Bate outra vez, com esperanças o meu coração,

Pois já vai terminando o verão, enfim.

Volto ao Jardim, com a certeza que devo chorar,

Pois bem sei que não queres voltar,

 para mim..." (CARTOLA)

 

Não é questão de viver muito

Trata-se de saber viver

Se a beleza das manhãs perder

mas saber descrevê-las com o talento

dos jovens poetas mortos.

Não é preciso ressuscitá-los,

apenas sempre venerá-los;

Jogá-los ao vento,

Espalha-los mundo afora.

Poeta não morre, desencarna.

 

Hoje reencontrei-me com o Raul,

num curta biográfico para tevê: chorei!

Repetir sua vida e seus erros

é machucar-lhe outra vez, com mais força.

Melhor seria relembrar que a vida,

a sociedade, milhões de fãs e amigos,

não foram generosos com Raul

e nem com os outros jovens poetas.

 

Grampearam-nos em sacolas de preconceitos.

Vaiados por gente da mesma idade.

Eles fugiam assustados, mergulhavam em rios

de drogas, álcool, piranhas, e falsos amigos.

A biografia foca mais em vícios, doenças e desatinos.

Poetas não precisam disso; gostam

é da tristeza do amor final,

para serem geniais em sua arte imortal.

 

Precisam de paz, carinhos, arroubos sem vícios.

Raul viveu num mundo por ele criado.

Morreu sozinho, no quarto fechado.

assassinado por excesso de álcool, éter, drogas.

O mundo não o ajudou a evitar esse triste caminho.

Acreditava que alcoolizados e drogados, Raul e os poetas teriam inspiração divina para serem geniais. (FIM)

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Escolha a melhor forma de se identificar em Comentar como: Depois pitaque à vontade.