quarta-feira, 2 de janeiro de 2019

LEGADO DOS 70 ANOS DE IDADE



IDADE DA PRATA, DO OURO DO CHUMBO

Hoje, dia 18 de outubro de 2018, cheguei aos 75 anos.
Ou seria idade do Saber ou da confirmação?
Na verdade, a gente descobre aos 50 anos que mudanças ocorrerão em nossa vida; e elas, realmente, acontecem.
Não existe aquela história de prata na cabeça, ouro no bolso e chumbo no saco?
Você sabe que isso lhe acontecerá, mas não acredita.
Fica ali imaginando se nos anos que terá pela frente entrará na fase dos acréscimos dados pelo Árbitro (Deus)ou se chegará à prorrogação após passar dos 70.
E como será daqui pra frente após os 70?
Decisão nos pênaltis? E se empatar nessa decisão com o Destino e sobreviver , vai pra cobrança alternada pênaltis?
Que os 70 fazem parte da idade da confirmação de tudo que já se viveu, não há dúvida.
Derruba até aquela mentira da prata na cabeça, do ouro no bolso e do chumbo no saco.
Na cabeça a maioria de nós, setentões, ganhamos pista de pouso e decolagem de mosquitos, sujeita ao inclemente sol e ao câncer de pele cada vez atacando mais.
Nada de prata, portanto. No bolso, para mim pelo menos, não sobrou ouro, apenas as merrecas das aposentadorias do INSS e do Ipsemg. Benefícios que perdem até pro aumento dos salários mínimos, e abaixo da inflação.
Aí vem a verdade: chumbo no saco. A pior das confirmações e a que se arrasta por mais anos, desde que você ultrapassa os 60 anos.
Descobre que o Viagra de 20 já não resolve mais; porém, tem medo do de 50, recomendado pelo médico.
Se for diabético descobre que nem o de 50 e nem o de 100, ou, possivelmente, a tal infiltração no descansado membro, resolvem.
Ah, direis, como consolo: é a confirmação da idade da sabedoria acumulada pela experiência de anos e anos de janela de observação e convivência com as múltiplas excentricidades da vida. Que nada! A memória encurta. Com muita luta se consegue lembrar dos tortuosos caminhos percorridos nos bons tempos da adolescência e da mocidade.
Mas o tempo recente cai num lapso constante.
Depois dos 70, confirma-se rapidamente que a memória não lhe permite lembrar mais o último livro que leu há dias, qual o enredo dele e o seu o autor.
Pior se ele, autor,  é famoso. Mas não liga não, amigo!. O livro é porta do prazer da leitura. Apenas isso
Quando se mergulha na leitura, a gente passa por esta porta, entra no enredo, torna-se personagem. Vive mundo superior, prazeroso.
Livro serve pra isso e não para acordar seu espírito arrogante e vaidoso. Ou para torná-lo intelectual de boteco, chato, desmancha roda.
Cheguei aos 75 neste 18 de outubro, coincidente com o 18 de outubro de 1943, quando nasci na rua Raul Soares, ex-rua das Flores, em Caratinga.
Cheguei diabético, safenado, mas de espírito elevado. Altruísta, pacato, menos exigente com as coisas do mundo e comigo mesmo.
Sempre fiz o que gostaria de fazer como advogado e jornalista. Conheci gente de diversas facetas, cores e credos. Viajei bastante, plantei árvores e escrevi vários livros.
Tive filhos e netas. Só não vou pegar terço e sentar na varada de casa para rezar. Nem me postar diante da TV pra curtir novelas e mais novelas.
Pretendo tentar escrever as minhas próprias novelas,  e vencer os 70 e atingir os 80 e 90 com a mesma disposição, até passar dos 100.
Pretendo chegar aos 150 anos, só não sei dizer se isso tá na cartilha do Homem lá de cima. Das vezes em que o Ele tentou levar-me, esperneei feito menino birrento. E não subi.
Fiquei perto de subir, vi arco-íris de cores vivas e diferentes. Conversei com anjos, vi uma porta encimada por cores que não distingui. Porém, fiquei por aqui mesmo. 
Foram 46 dias de conversas desconexas, imaginação fértil no trabalho subjetivo, de um leito de UTI, sozinho, acompanhado tão-somente de meu anjo invisível de guarda.
Enquanto não resolvem lá em cima qual será o meu destino, vou ler o possível, e com minhas letras pintar a trilha aprofundada dentre a mata virgem que minha imaginação traça nos momentos de paz.  



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