segunda-feira, 25 de fevereiro de 2019

NA TERRA DE DRUMMOND EXISTE O TREM QUE ENCHE DE FUMAÇA OS OLHOS DO ATRASO


O TREM Itabirano, fumaça ardente nos olhos do atraso.
Adoro ler no meu computador o jornal independente de Itabira  de conteúdo democrítico,como gosta de afirmar o seu editor Marcos Caldeira Mendonça. Com linguagem áspera e ao mesmo tempo bem-humorada, O TREM Itabirano circula mensalmente desde 2005. sou privilegiado como meus amigos Lucas Mendes - ex-colega de internato no Ginásio São Francisco, em Pará de Minas, e Chico Maia, menino do seu Vicente para o qual abri as portas das rádios da Capital e da Televisão no meu Minas Esportes da Band-MG, pois recebo o Trem Itabirano sem ter feito assinatura.
Separei e publico abaixo uma matéria sensacional de Marcos no Trem Itabirano. Leia e caia na gargalhada como eu fiz:
AQUELA MULHER PELADA LÁ NO CENTRO CULTURAL DE ITABIRA ME LEMBROU UMA HISTORINHA DE 1996

(A rádio Pontal me esfolou por eu publicar  poema erótico de Drummond)

Se o Musée D'Orsay, de Paris, pode exibir “A Origem do Mundo”, de Gustave Courbet, por que o Centro Cultural de Itabira não pode ter uma réplica da mulher pelada de Carlos Leão que ilustrou “Amor, Amores”, livro de Carlos Drummond de Andrade lançado em 1975?

Fui conferir mal ajambrada exposição de reproduções de fotos e textos de Drummond em cartaz no aquário do Centro Cultural. Aquário é aquele cercado de vidro feito há uns 10 anos no pilotis – sim, pilotis fechado, Itabira rima com Sucupira. Foi criado para ser aberto à circulação, com a proposta de integrar as pessoas ao edifício da cultura.

 “Povo de Itabira, essa história de arte ser só para elite é conversa fiada. Venha ao Centro Cultural, a casa é sua, entre, fique à vontade, estamos de pernas abertas para você”, gritava o pilotis. “Isso pode dar certo, o povo acabará entendendo que o Centro Cultural é dele".
Precisamos dificultar -  pensou alguém - e então providenciou-se o fechamento do pilotis, truncando a passagem, arredando o povo, ocultando a Biblioteca Municipal e estropiando o projeto original, do arquiteto Zenon Lago.

Nome do responsável pelo desserviço: João Izael, prefeito à época.
Ainda está para surgir aquele que livrará o Centro Cultural daquela asfixia no pilotis, como apareceu Marconi Drummond, em 2013, e eliminou do jardim umas pavorosas caixas pretas feitas com antigas placas dos Caminhos Drummondianos, similares a essas de inauguração de obras públicas, que exibem data e nome de prefeito.

Foram substituídas por novos e belos suportes patrocinados pela empresa Vale, mas alguém teve a infeliz ideia de pegar a velharia, criar cubos e fixá-los no gramado do Centro Cultural.

 Assim que assumiu a Fundação Cultural Carlos Drummond de Andrade, Marconi Drummond, acertadamente, capinou aquela feiura. Erros podem ser corrigidos, diria o Conselheiro Acácio.

Voltemos à mulher pelada do Centro Cultural.
Ao ver o desenho de Carlos Leão, lembrei-me de uma historinha de 1996. Com a responsabilidade que se pode exigir de quem tem 20 e poucos anos, eu editava o jornal oficial A Semana e me esforçava para publicar textos além da maçaroca prefeitural.
“Temos de veicular também algo que preste para o povo”, pensamento que me rendeu colisões no Paço Municipal Juscelino Kubitschek.
Consta que o número em cuja capa imprimi foto de dois alunos do Colégio Nossa Senhora das Dores se beijando – numa reportagem sobre AIDS, se bem me lembro – levou o então prefeito, Olímpio Pires Guerra (Li), a fazer picadinho de um exemplar no seu gabinete.
-"Esse jornal é para falar bem do governo, principalmente na capa", insinuavam o tempo todo assessores do Prefeito, mas eu nem sempre estava disposto a concordar com eles.

Vamos publicar um poema de “O Amor Natural”, livro erótico e póstumo do itabirano, avisei numa reunião de pauta e ouvi de prudente repórter:
 “Marcos, vai dar confusão”. Mandei buscar exemplar e o entreguei ao motorista do jornal:
Jorge, estas páginas estão cheias de Drummond falando sacanagem. Escolha um poema, bem bonito, para sair na próxima edição do A Semana. Você tem dois dias para resolver”.
Tarefa cumprida com denodo: ele foi visto lendo o livro e rindo em diferentes lugares, nas esperas de seu ofício, e dentro do prazo me devolveu o volume marcado na página 25:
Escolhi esse aí, ó”.
Era “A Bunda, que Engraçada”, impresso inteirinho no periódico oficial.

Virou escândalo na rádio Pontal, de Marcos Evangelista Alves, o Gabiroba. Doutor Marcos Evangelista Alves, aliás, como ele faz questão de ser chamado, obedecido zelosamente pelos funcionários de sua emissora. Doutor Gabiroba foi ao ar e sentou a borduna:

"----Quem esse moleque pensa que é para atentar contra a família itabirana? Logo o jornal da prefeitura, pago pelo povo, publicar essa indecência, absurdo, imoral, o bispo dom Mário precisa saber disso...

Pensei: os homens de decisão do governo virão para cima de mim como pitbulls picados por marimbondos. Nem tanto, deu rebu grau 4, maquinado por quem me detestava (detesta até hoje, suponho). Tentaram articular para o prefeito me demitir, mas Li não o fez, embora motivos não lhe faltassem, e alguns dias depois o caso estava sob o mármore.

Sabíamos todos, na redação de A Semana e no governo, que a rádio Pontal não estava preocupada com família, moral, bons costumes, nada. Aproveitou-se do caso para fazer uma politicalhazinha bem à itabirana.

Hoje, se o Centro Cultural exibir centenas de fotos de mulheres peladas, e até expor mulheres nuas mesmo, acredito que a emissora do doutor Gabiroba não dará um pio de coruja velha. É que a torneira da publicidade oficial jorra com fartura para os lados da Pontal.- Dizem sempre os filósofos: o animal satisfeito dorme.














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