quarta-feira, 23 de outubro de 2019

SAUDADE DE MINHA ORIGEM



Há certos dias em que penso em minha gente e o primeiro quadro que me vem à mente é o de meu saudoso pai Sodico Anselmo, sentado, confortavelmente, à porta da enorme casa, na rua Raul Soares, 241, aonde morávamos. Ali ele reparava  a gente amiga e humilde subindo e descendo a rua nos lindos dias de Caratinga.
Nossa rua,  antes chamava-se Rua das Flores. Depois virou Rua Raul Soares, desperdício de homenagem ao político estadual que nunca nada fez por nossa cidade, além de ser uma das pessoas mais homenageadas do Estado.  Dá nome a duas cidades, a ruas, praças e outros lugares.
No tempo de minha recordação  a Raul Soares nem tinha calçamento e era dividida no meio por postes de ferro fundidos, que, segundo a lenda, na época das revoluções políticas eram arrancados e transformados em canhões de um tiro só, visto que se arrebentavam após o disparo.
Fora do uso bélico, o poste servia pra dividir a rua em mão e contramão nas subidas e descidas dos fordinhos 29, alguns carros de praça, outros particulares que infestavam a cidade, e para suster os "tomatinhos"  vermelhos que chamavam de luz elétrica da Coutinho e Pena. Da cadeira de palhinha na calçada, meu Pai, sereno e vigilante, em tal pose que manteve após tornar-se o Juiz de Paz  mais bem votado na história da cidade.
Passava dali  o perfil de importante e respeitado patriarca de uma família feliz, como realmente éramos e somos até hoje, apesar da ausência dele e de minha mãe Geralda e de meus irmãos Zito e Neném, falecidos;  mas vivos estamos Dodora e Fábio, cada qual no seu canto, com seus filhos e netos.
 Sou o caçula desta família maravilhosa.
Tempos divinos!  Eu que não cria, peço hoje a Deus que proteja e receba minha gente, "gente humilde, que vontade de chorar, obrigado  Garoto, Chico Buarque e Vinicius de Morais, pela linda canção "Gente Humilde" à qual me recorro agora.
Em frente à nossa casa, relembro o boteco do Zé Francisco. Ele fritava  torresmo divinamente - pele e carne. Enchia os olhos do Sodico e lhe dava água na boca. Lambia os lábios de longe. A matriarca Geralda lhe negava o direito de saborear o torresmo divino  por causa da saúde já meio baleada. 
No entanto, quando eu o visitava, cruzava a rua, botava uma mesinha na porta do boteco, enchia-a de cervejas e pedia  pratinho de torresmo gordo ou magro. Fazia uma ponte aérea, corria do outro lado e matava a vontade de Papai.
Vejo-o à porta de casa, escondendo parte do torresmo enorme e carnudo, enquanto saboreava a outra parte, enfiando-lhe o único dente da boca e absorvia o resto aos chupões.
Na casa, Dona Geralda preparava o almoço para ele, para mim e meu saudoso sobrinho Lincoln, bom companheiro e que enxugava a mesa cheia de cervejas.  De vez em quando, Dona Geralda  à porta da casa e da calçada mesmo e nos chamava, após repreender-nos: 
"Vocês não sabem uma ou três cervejas, querem cinco ou seis". Mamãe não contou direito. Tomamos duas dúzias de geladas.
Saudade do Lincoln Anselmo Chaves, filho de minha irmã Dodora e do falecido Raymundo Vieira Chaves.
Cheguei agora a Caratinga com o propósito de ficar, apesar das dificuldades minhas. Amigos me ajudam e me entregam à amizade do jovem prefeito Dr. Wellington Moreira, cuja marca inicial nestes dois anos é fantástica. Caratinga foi a única cidade de Minas que  não teve a crise financeira dos salários atrasados. Pagou tudo em dia.
De uma enorme humildade, sem personalidade populista ou política, Dr. Wellington da primeira vez que falamos me revelou que era meu fã. Pode? Nunca ouvi isso de prefeito de minha cidade. E me convidou para juntar-me à sua equipe de trabalho. Claro que aceitei, por se tratar de convite sério, apoiado pelo professor Eugênio Maria Gomes, cujo relacionamento comigo também começava.
Tenho a Caratinga dos meus sonhos no coração. Já checamos e é a mesma que também nasce no coração do Prefeito Wellington. Então, vamos juntos, ao lado dos adoráveis conterrâneos, que me cercaram de tantas gentilezas nesta semana pré 24 de junho, nos dias dos arteiros, movimento do estupendo Camilinho, com ajuda da minha  filha caçula Juliana, atualmente filha de Caratinga, também, onde se tornou empresária, divulgadora de cultura, dança e teatro, com suas três filhas lindas - Luana, Sophia e Stelinha - envolvidas na arte.
Vamos que vamos,  Dr.Wellington. Vou tentar abrir caminhos novos para Caratinga em BH e já comecei a recorrer ao amigo Chico Maia, jornalista forte junto à nova sensação da política mineira, o ex-presidente do Clube  Atlético Mineiro, atualmente prefeito da Capital e forte candidato ao Governo de Minas, Alexandre Kalil.
Chico Maia que desde adolescente trabalhou comigo na Rádio Capital, na TV Bandeirantes-MG, na Federação Mineira de Futebol, quer conhecer Caratinga. Vamos trazê-lo para se impregnar do espírito caratinguense, o mesmo de sua cidade natal, Sete Lagoas.
Caratinga hoje aniversaria, graças a Deus,  sob manto de liberdade há muito inexistente. Sua mocidade empreendedora está nas ruas, aumentando as chaminés da cultura que sempre dominaram esta cidade de Deus. Tivemos bons e maus prefeitos, mas agora teremos  líder nato, sério, empreendedor e respeitado, Doutor Wellington Moreira, a quem me bastou poucas horas de conversa amena para agregar-me aos seus planos e projetos sérios, sem demagogia, longe da política rasteira e pessoal.
Esta é a CARATINGA que eu AMO, motivo pelo qual agradeço as bençãos que me trouxeram de volta à Santa Terrinha. Lá no alto do Cemitério, estão meus Pais, Sodico e Geralda; estão meus irmãos, Zito e Neném; e lá estarei quando chegar minha hora.
Esta cidade que vejo agora, vibrante, viva em todas as idades, a cidade da arte, da cultura,  do teatro, do balé clássico, da Feijoada do Catitu, que reuniu 700 conterrâneos, muita música boa e animada, uma festa de congraçamento inesquecível. A cidade mantém a fama das belas meninas, cultura deixada por Stael Maria Rocha Abelha.
Dos artistas de Ziraldo e Zélio, grupo no qual tenho orgulho de me incluir, ao lado de Sylvio Abreu,  Edra, Camilinho,  Ruy Castro, Miriam Leitão, admiradores do maior cantor do Brasil, Agnaldo Timóteo; de  educadores orientados por Cláudio Leitão, Professor  Eugênio Maria Gomes, gente do naipe de Humberto Luiz, amigos como Jorge Magalhães,  fazem o sangue de Caratinguense  correr saudável, manso e intenso como Deus quer, nos corações dos que se aproximam daqui.
Você é um deles  Prefeito Wellington e não vamos largá-lo de forma alguma nos próximos anos. Será sempre nosso imutável Prefeito.

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